O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que ainda não tem cura. No entanto, alguns cuidados com a saúde podem contribuir para a prevenção e para o controle de fatores associados ao declínio cognitivo. Entre eles, está a prática regular de exercícios físicos. Continue lendo para saber mais sobre o tema.
O que é o Alzheimer e quais são os fatores de risco
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória, o pensamento e outras funções cognitivas. A doença está relacionada a alterações nas células nervosas do cérebro, incluindo o acúmulo anormal de determinadas proteínas. Com a progressão desse processo, a comunicação entre os neurônios é prejudicada e ocorre a perda de células nervosas e de suas funções.
O desenvolvimento do Alzheimer está associado a uma combinação de fatores, que podem incluir envelhecimento, genética e hábitos de vida. Segundo a professora da Bodytech Belvedere, Rafaela Cruz, a doença pode se manifestar de duas formas:
Alzheimer hereditário, também chamado de familiar: é a forma mais rara da doença. Geralmente se manifesta antes dos 60 anos, podendo surgir entre os 40 e 60 anos, e está relacionada a mutações genéticas que podem ser transmitidas entre gerações;
Alzheimer esporádico, ou tardio: é a forma mais comum da doença e geralmente surge após os 65 anos. Nesse caso, o desenvolvimento está associado à combinação de diferentes fatores, como envelhecimento, genética e hábitos de vida.
Ter histórico familiar de Alzheimer pode aumentar o risco de desenvolver a doença, mas não significa que ela necessariamente irá se manifestar. Como explica a especialista, “ter histórico na família aumenta o risco de desenvolvimento, mas não é uma sentença declarada, pois existem formas de proteger o nosso cérebro, entre eles os hábitos de vida”.
E entre os fatores associados ao maior risco de comprometimento da saúde cerebral estão:
Obesidade;
Sedentarismo;
Tabagismo;
Consumo excessivo de álcool;
Hipertensão;
Diabetes;
Colesterol alto.
Por outro lado, alguns hábitos estão relacionados à manutenção da saúde cerebral ao longo da vida. A especialista destaca a importância de estimular a mente por meio de atividades como leitura, aprendizado de novos idiomas e prática de instrumentos musicais, além de manter uma alimentação equilibrada, ter um sono de qualidade, preservar a vida social e praticar atividades físicas.
Nesse contexto, a atividade física pode fazer parte das estratégias de cuidado com a saúde cerebral. “O exercício físico é a nossa arma secreta quando falamos de Alzheimer. É isso mesmo, a atividade está ligada tanto à prevenção quanto à estabilização dessa patologia”, ressalta a professora.
Como o exercício físico beneficia o cérebro
O envelhecimento com qualidade de vida envolve cuidados com diferentes aspectos da saúde, incluindo o bem-estar mental e a saúde do coração, dos músculos, dos ossos e das articulações. Nesse contexto, a saúde do cérebro também merece atenção. “Algumas vezes negligenciamos a saúde do nosso cérebro, um órgão extremamente importante do nosso corpo que precisa ser preservado e cuidado durante toda a nossa vida”, afirma Rafaela.
A prática de exercícios físicos é uma das formas de manter o cérebro ativo ao longo da vida. “Toda vez que nos movimentamos, trabalhamos não só os nossos músculos, mas estimulamos também o nosso cérebro”, comenta Cruz.
Isso ocorre porque o se movimentar aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, favorecendo a chegada de oxigênio e nutrientes aos tecidos e contribuindo para a saúde dos vasos sanguíneos. A atividade física também estimula mecanismos relacionados à função dos neurônios e está associada ao aumento de fatores neurotróficos, como o BDNF, uma proteína envolvida na sobrevivência, no crescimento e na plasticidade das células do sistema nervoso.
A prática de exercícios em diferentes fases da vida também pode contribuir para processos relacionados à aprendizagem e à memória. Isso está ligado à neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de se adaptar e modificar suas conexões ao longo do tempo. “Ao contrário do que muitos pensam, nosso cérebro não é uma estrutura completamente rígida. Ele é um órgão capaz de se adaptar, criar e possui capacidade de fortalecer conexões entre os neurônios”, salienta a profissional.
Exercício físico e Alzheimer: quais são os benefícios
No caso do Alzheimer, a doença provoca alterações progressivas no cérebro, incluindo a perda de neurônios e a atrofia de regiões relacionadas à memória, como o hipocampo. Segundo Rafaela, o processo também envolve alterações no ambiente cerebral, com inflamação e outras mudanças que afetam o funcionamento dos neurônios. “Ao contrário do que muitos pensam, nosso cérebro não é uma estrutura completamente rígida. Ele é um órgão capaz de se adaptar, criar e possui capacidade de fortalecer conexões entre os neurônios”, salienta a profissional.
Embora os medicamentos disponíveis não revertam a atrofia causada pela doença, estudos indicam que o exercício aeróbico pode estar associado a mudanças no volume do hipocampo em pessoas idosas. Esses efeitos fazem parte das pesquisas sobre a relação entre atividade física, envelhecimento e saúde cerebral.
Além dos aspectos relacionados à cognição, a prática de atividades físicas pode contribuir para a manutenção da autonomia de pessoas com Alzheimer. Atividades que trabalham força, equilíbrio, mobilidade e resistência podem auxiliar na realização de tarefas do cotidiano, como levantar-se de uma cadeira e se vestir.
Por isso, manter-se fisicamente ativo ao longo da vida é uma das estratégias que podem fazer parte dos cuidados com a saúde do cérebro. A prática deve considerar a idade, as condições de saúde e as necessidades de cada pessoa, especialmente no caso de quem já apresenta algum comprometimento cognitivo.
