Cuidar da saúde não deve ser uma preocupação apenas quando surgem sintomas. Consultas regulares, hábitos saudáveis e atenção aos sinais do corpo são medidas importantes para prevenir doenças e identificar possíveis alterações precocemente. A seguir, entenda quais cuidados merecem atenção em cada fase da vida.

Por que os homens adiam o médico?

A resistência em procurar atendimento médico pode estar relacionada a diferentes fatores, desde questões culturais até o medo de receber um diagnóstico. A ideia de que é preciso buscar ajuda apenas quando algo dói, o constrangimento diante de determinados exames e a falta de tempo também contribuem para esse comportamento.

Segundo Romulo Nunes, urologista do Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP), essa combinação faz com que muitos homens cheguem ao consultório quando a doença já apresenta sintomas. “Muitos homens cresceram com a ideia de que cuidar da saúde é sinal de fragilidade, ou de que só se procura médico quando algo dói”, explica.

O problema é que algumas condições, como hipertensão, diabetes e câncer de próstata, podem evoluir sem apresentar sinais nas fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, a doença pode estar mais avançada, o que dificulta o tratamento e reduz as possibilidades de cura em determinados casos.

Essa diferença também se reflete na expectativa de vida. De acordo com dados do IBGE referentes a 2024, as mulheres brasileiras vivem, em média, 79,9 anos, enquanto a expectativa entre os homens é de 73,3 anos. Para o urologista, ampliar o acesso à informação e incentivar o acompanhamento médico são passos importantes para mudar esse cenário.

Prevenção em todas as fases da vida

Os cuidados com a saúde masculina começam ainda na juventude e devem acompanhar as diferentes necessidades de cada etapa. Na adolescência, por exemplo, a atenção envolve educação sexual, uso de preservativos, vacinação contra o HPV e observação de alterações nos testículos. O tema merece atenção especial nessa fase, já que o câncer de testículo é mais frequente entre homens de 15 a 35 anos.

Na vida adulta, consultas periódicas ajudam a acompanhar indicadores como pressão arterial, peso, glicemia e colesterol. A saúde mental, a fertilidade e os hábitos relacionados ao consumo de álcool e tabaco também devem fazer parte desse cuidado. A partir dos 40 anos, a atenção à saúde cardiovascular e metabólica ganha ainda mais importância. Já a avaliação da próstata deve ser discutida com o médico de acordo com a idade e os fatores de risco individuais.

A partir dos 50 anos, o acompanhamento urológico também pode incluir a investigação de sintomas urinários e a avaliação de outras condições, como o câncer colorretal. O urologista reforça que alguns hábitos devem estar presentes em todas as etapas da vida: “alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, não fumar e moderar o álcool”. 

Câncer de próstata: fatores de risco e prevenção

O principal fator de risco para o câncer de próstata é a idade, já que a doença é rara antes dos 50 anos e se torna mais frequente a partir daí. O histórico familiar também merece atenção, especialmente quando pai ou irmão já receberam o diagnóstico. A obesidade, por sua vez, está associada a um pior prognóstico. Segundo o urologista, cerca de 15% a 20% dos diagnósticos ainda ocorrem quando a doença já está em estágio metastático, ou seja, quando atingiu outros órgãos.

Um dos desafios é que o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas na fase inicial. “Por isso, não se deve esperar sinais para procurar o urologista”, alerta Romulo. Quando aparecem, os sintomas podem indicar uma doença mais avançada ou ser confundidos com o aumento benigno da próstata. Entre eles estão jato urinário fraco, dificuldade para começar a urinar, vontade frequente de urinar, principalmente à noite, e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Em casos avançados, também pode ocorrer dor óssea persistente, sobretudo na coluna e na bacia.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com um urologista sobre a avaliação individualizada. Para homens negros ou com parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença, essa conversa deve começar aos 45 anos. A avaliação costuma envolver o exame de PSA, feito por meio de coleta de sangue, e o toque retal, que são complementares.

“A decisão de rastrear deve ser compartilhada entre médico e paciente, considerando benefícios, limitações e a expectativa de vida de cada um”, explica o especialista. Além disso, o diagnóstico não significa necessariamente a realização de uma cirurgia. Tumores de baixo risco, por exemplo, podem ser acompanhados por meio da chamada vigilância ativa.

Atenção para além do consultório

Embora o câncer de próstata tenha destaque durante a campanha, a saúde masculina envolve outros cuidados. As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte entre os homens. Por isso, acompanhar a pressão arterial, o colesterol, a glicemia e o peso, além de evitar o tabagismo, é fundamental.

A disfunção erétil também merece atenção, pois pode estar relacionada a alterações nos vasos sanguíneos e funcionar como um sinal precoce de problemas cardiovasculares. “Pode ser um sinal precoce de problema nos vasos sanguíneos, aparecendo às vezes anos antes de um infarto”, destaca Romulo. Por isso, deve ser investigada por um profissional de saúde, e não apenas tratada de forma isolada.

A saúde mental é outro aspecto importante. Ansiedade e depressão podem passar despercebidas, especialmente quando o sofrimento emocional não é compartilhado. Irritabilidade, isolamento e aumento do consumo de álcool também podem indicar a necessidade de buscar ajuda. O médico chama a atenção para esse cenário: a taxa de suicídio entre homens é cerca de quatro vezes maior que entre mulheres no Brasil, o que reforça a importância de incentivar a busca por apoio psicológico.

O cuidado deve continuar o ano todo

O Novembro Azul reforça que a saúde masculina merece atenção durante todo o ano. Manter consultas regulares, adotar hábitos saudáveis e procurar orientação diante de alterações no corpo são atitudes importantes para prevenir doenças e favorecer o diagnóstico precoce.