O Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame, ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando há o rompimento de um vaso cerebral. A condição pode causar sequelas motoras, alterações na fala e dificuldades cognitivas, comprometendo a autonomia e as atividades cotidianas.

Embora o risco aumente com a idade, a prevenção envolve hábitos e cuidados com a saúde que devem começar desde a juventude. O controle dos fatores de risco cardiovascular e a prática regular de atividade física estão entre as medidas que ajudam a reduzir a probabilidade de ocorrência do AVC.

Por que acontece o AVC?

O AVC ocorre quando uma região do cérebro deixa de receber sangue adequadamente, o que compromete o fornecimento de oxigênio e nutrientes às células cerebrais. A condição pode ser isquêmica, quando há obstrução de um vaso, ou hemorrágica, quando ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo.

Existem fatores que aumentam o risco de desenvolver a condição e que podem permanecer sem sintomas por anos. Segundo o cardiologista Elzo Thiago Brito Mattar, os principais são:

  • Pressão alta;

  • Colesterol elevado;

  • Diabetes;

  • Obesidade;

  • Tabagismo;

  • Sedentarismo;

  • Má alimentação.

O risco de AVC aumenta com o envelhecimento, mas a condição também pode ocorrer em adultos jovens. Para o cardiologista, o crescimento de fatores de risco nessa faixa etária merece atenção. “Mas temos visto mais casos em adultos jovens, impulsionados pelo aumento da obesidade, do diabetes e da hipertensão”, afirma o doutor.

Entre os fatores de risco, a hipertensão arterial ocupa uma posição central. O colesterol elevado contribui para a formação de placas nas artérias, enquanto a diabetes e a falta de atividade física também aumentam o risco cardiovascular. Como explica Mattar, “o colesterol alto forma placas nas artérias, o diabetes praticamente dobra o risco de AVC e o sedentarismo potencializa todos os outros”.

Outros hábitos também podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, sal e bebidas alcoólicas, além da privação de sono e do sedentarismo. O médico chama atenção ainda para o uso de substâncias que podem afetar a saúde cardiovascular: “também entram nessa lista o cigarro eletrônico, os anabolizantes, as drogas e o excesso de energéticos. Nas mulheres, o anticoncepcional hormonal combinado com cigarro ou enxaqueca com aura merece atenção”.

O acompanhamento preventivo permite identificar fatores de risco e orientar medidas de controle antes do aparecimento de complicações. Segundo o cardiologista, é importante monitorar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia. A frequência dos exames deve considerar a idade, o histórico familiar, as condições de saúde e as orientações médicas.

Qual é o papel da atividade física na prevenção do AVC?

A prática regular de atividade física contribui para o controle da pressão arterial, da glicemia e do peso corporal, além de favorecer a saúde cardiovascular. Associada a uma alimentação equilibrada, ao sono adequado e à ausência de tabagismo, ela integra as estratégias de prevenção do AVC.

A alimentação também tem papel relevante nesse processo. Ao comentar os resultados do estudo PREDIMED, o cardiologista destaca: “A pesquisa mostrou que a dieta mediterrânea reduziu em cerca de 30% os eventos cardiovasculares. Por isso, limitar o sal a 5g por dia também faz diferença”. 

A atividade física, por sua vez, está associada à redução do risco de doenças cardiovasculares. De acordo com Mattar, “pessoas ativas têm cerca de 25% menos risco de AVC”, comenta o doutor.

Para adultos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, como caminhada rápida, ou de 75 a 150 minutos de atividade intensa. A orientação também inclui exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Essas recomendações podem ser adaptadas às condições e às capacidades de cada pessoa. “Qualquer movimento já é melhor do que nenhum”, ressalta Mattar. 

Por que começar a prevenção ainda na juventude?

A prevenção do AVC envolve o controle de fatores de risco que podem se desenvolver ao longo de muitos anos. A hipertensão, o diabetes, o colesterol elevado e a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias, podem se estabelecer antes do envelhecimento. Por isso, adotar hábitos saudáveis desde cedo ajuda a reduzir a exposição prolongada a esses fatores.

O cardiologista reforça que a prevenção deve considerar essa perspectiva de longo prazo. “O AVC é o desfecho de um processo que leva décadas. Estudos de autópsia mostram que a aterosclerose, o acúmulo de gordura nas artérias, já começa na adolescência. Além disso, de 10% a 15% dos AVCs ocorrem em pessoas com menos de 50 anos”, orienta o especialista.

A adoção de medidas preventivas não exige mudanças complexas na rotina. O primeiro passo é conhecer os próprios indicadores de saúde e identificar quais hábitos podem ser ajustados. Para quem deseja começar, Mattar recomenda três cuidados:

  • Conheça os seus números de pressão, colesterol e glicemia;

  • Mexa-se por 30 minutos de caminhada, cinco vezes por semana;

  • Não fume e reduza o sal e os ultraprocessados.

O acompanhamento médico, a prática regular de atividade física e o controle dos fatores de risco ajudam a reduzir a probabilidade de AVC e outras doenças cardiovasculares. Iniciar esses cuidados desde a juventude contribui para a manutenção da saúde ao longo da vida.