Voltar à rotina depois das férias pode ser um desafio para as crianças e para os pais, principalmente na hora de retomar hábitos que contribuem para uma rotina mais ativa. Para entender como incluir a atividade física no dia a dia dos pequenos de forma leve e adequada, continue lendo.

Qual é a importância de manter as crianças ativas?

O retorno à rotina escolar envolve uma reorganização do dia a dia da criança. Segundo a professora de atividades Kids da Bodytech Rio Sul, Barbara Menezes, manter a atividade física neste período ajuda o corpo e a mente a se adaptarem melhor à nova rotina, evitando cansaço excessivo e mudanças bruscas.

Além dos benefícios para o corpo, a atividade física também oferece um espaço seguro de socialização e expressão. “Ao praticar exercícios, a criança faz amigos, cria laços com os professores e ganha mais confiança emocional, o que deixa o retorno à escola bem mais leve e seguro”, explica a profissional.

Esse movimento também contribui para o equilíbrio emocional e para o bom funcionamento do organismo. “O corpo em movimento influencia diretamente alguns hormônios como dopamina, serotonina, endorfina e outros. A regulação hormonal influenciará diretamente na atenção, concentração, foco, relaxamento e sono, tópicos muito importantes para o desenvolvimento e crescimento saudável desta criança”, reforça a especialista.

Dessa forma, manter uma rotina de atividades físicas pode contribuir para o bom funcionamento do organismo em qualquer idade. Por meio do movimento, a criança também aprende a reconhecer seus limites e necessidades, desenvolvendo mais autonomia para lidar com as mudanças e os ajustes que fazem parte de cada fase da vida.

Como incentivar as crianças a se manterem ativas?

Depois das férias, os pais podem retomar a atividade física na rotina dos filhos sem sobrecarregar a agenda. Para isso, vale distribuir o exercício de forma equilibrada ao longo da semana. “Uma boa estratégia é intercalar os dias, se possível, para que a criança ou o adolescente tenha, além da escola, uma atividade por dia.”, aconselha Barbara.

Na hora de escolher as atividades também é importante considerar o gosto, a disposição e o tempo livre de cada criança ou adolescente. A frequência deve acompanhar essa rotina, respeitando os momentos de descanso e evitando que a prática se torne mais uma obrigação no dia a dia.

Para cada faixa etária, porém, algumas atividades podem contribuir de maneira diferente para o desenvolvimento. “Para o bebê devemos optar por atividades que ajudem em seu desenvolvimento cognitivo e motor como natação, psicomotricidade, musicalização. Todas essas atividades ainda promovem a socialização, que naturalmente já contribui para esse desenvolvimento”, afirma Menezes.

Na infância, atividades lúdicas e esportes como natação, judô, ballet, ginástica artística e práticas voltadas para as habilidades motoras podem fazer parte da rotina. “Com essas atividades, trabalharemos o respeito às regras, domínio do seu corpo no espaço, estímulo à criatividade e expressão corporal, dentre outros aspectos que auxiliarão diretamente a vida cotidiana desta criança, principalmente na escola”, orienta a profissional.

Já na adolescência, além da socialização, a atividade física pode contribuir para o equilíbrio das emoções durante uma fase marcada por mudanças e amadurecimento do corpo e da mente. Nessa faixa etária, esportes coletivos e musculação orientada são algumas das opções.

Para tornar esse momento mais prazeroso e menos associado a uma obrigação, a professora de atividades Kids da Bodytech Rio Sul destaca a importância do diálogo e do exemplo. “Devemos esclarecer e demonstrar para nossas crianças e, principalmente, adolescentes que a atividade física não é mais uma obrigação, mas sim um momento de prazer e conexão. Com a prática, eles irão sentir o bem estar proporcionado pelos exercícios e assim entenderão a importância de trabalharmos o corpo”, afirma.

E, caso a criança perca o interesse ou demonstre resistência em retomar uma atividade depois das férias, o processo também exige paciência. Segundo Barbara, transições na rotina pedem escuta, acolhimento e carinho. “É importante conversar com a criança para entender o motivo do desinteresse e contar com a parceria do professor. A ajuda dele faz toda a diferença, pois ele sabe como acolher e reengajar o aluno na rotina de forma leve”, reforça.

Nesse processo, os esportes coletivos e as atividades em grupo também podem facilitar a retomada, já que o reencontro com os colegas e o sentimento de pertencimento funcionam como importantes fatores de motivação. Segundo a profissional, as atividades em grupo estimulam:

  • O companheirismo;

  • A empatia;

  • E o compromisso coletivo.

Dicas finais para colocar em prática

Incentivar a evolução da criança ou do adolescente também pode ser uma importante fonte de motivação, principalmente quando eles percebem que contam com apoio e atenção durante esse processo. Nesse sentido, ter pais ativos ajuda a tornar a atividade física parte natural da rotina familiar. “Fica muito mais fácil a adaptação nas atividades quando é algo comum para a família, isto é, quando os pais também praticam exercícios além do seu trabalho.”, salienta Barbara.

Ao mesmo tempo, é importante observar o comportamento dos filhos para identificar quando a quantidade de atividades está acima do que conseguem suportar. Nas crianças menores, esses sinais podem aparecer por meio de choro frequente, birras incomuns, alterações no sono e perda de apetite. Já as mais velhas conseguem, muitas vezes, expressar que estão cansadas, mas também podem apresentar irritabilidade, mudanças de humor, dificuldade para se concentrar e desequilíbrio físico. Por isso, reconhecer esses sinais, validar os sentimentos e ajustar a carga de compromissos é fundamental.

A quantidade de atividade física recomendada também varia de acordo com a idade. Segundo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS):

  • Crianças menores de 1 ano: devem ser estimuladas fisicamente várias vezes ao dia, incluindo pelo menos 30 minutos em posição de bruços para os bebês que ainda não se locomovem;

  • Crianças de 1 a 2 anos: devem realizar pelo menos 180 minutos, ou 3 horas, de atividades físicas de qualquer intensidade ao longo do dia;

  • Crianças de 3 a 4 anos: devem praticar no mínimo 180 minutos de atividade física diária, sendo pelo menos 60 minutos de intensidade moderada a vigorosa;

  • Crianças e adolescentes de 5 a 17 anos: devem acumular, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, predominantemente aeróbica, além de incorporar exercícios de fortalecimento muscular e ósseo ao menos 3 vezes por semana.

Para as crianças que tiveram uma rotina menos ativa durante as férias, a retomada também deve acontecer de forma gradual. “Nas primeiras semanas, a prioridade deve ser se acostumar novamente com o ritmo. Além disso, é importante reforçar o descanso após as atividades e a qualidade do sono”, finaliza a professora.

Com uma retomada gradual, atenção aos sinais do corpo e apoio da família, a atividade física pode voltar a fazer parte da rotina das crianças de maneira leve e equilibrada. Assim, o movimento passa a acompanhar o desenvolvimento dos pequenos em diferentes fases da vida.