Com a chegada da primavera, é natural sentir vontade de voltar para as ruas, parques e trilhas. Caminhadas, corridas e pedaladas ganham espaço na rotina, mas um cuidado costuma ficar de fora desse planejamento, a mobilidade articular, que prepara o corpo para lidar com essa retomada de forma mais segura.
Não é coisa só de quem treina em academia
Diferente do ambiente controlado de uma academia, o terreno ao ar livre é imprevisível por contar com pisos irregulares, subidas, descidas e mudanças bruscas de direção que exigem que as articulações respondam com liberdade de movimento. Quando retomamos caminhada, corrida, trilha, bike ou algum esporte, o corpo precisa estar pronto para lidar com essa variedade de estímulos, e é essa preparação que costuma ficar de fora do planejamento de quem só pensa em "voltar a treinar".
Com isso, na visão de Fernanda Stangherlin, professora e Master Trainer da Bodytech, trabalhar mobilidade deveria fazer parte da rotina de treino de todo mundo, não só de quem frequenta academia. "O corpo é como uma engrenagem que precisa estar bem lubrificada para não ficar travando, e precisa estar preparado para diferentes movimentos e terrenos", relata a profissional.
As articulações que merecem atenção prioritária
O corpo trabalha em conjunto, e quando uma articulação não tem boa mobilidade, outra acaba tendo que compensar, o que aumenta o risco de sobrecarga em regiões que não estavam preparadas para isso. Nesse contexto, algumas regiões pedem atenção redobrada nesse retorno às atividades ao ar livre.
Tornozelos, fundamentais para caminhadas e corridas, absorvendo impacto e garantindo estabilidade em terrenos irregulares a cada passo;
Quadril, que sustenta grande parte da propulsão em atividades como corrida e trilha, além de dar suporte à estabilidade do corpo como um todo;
Coluna torácica, responsável por uma boa postura e pela liberdade de movimento do tronco, algo especialmente importante em pedaladas longas ou percursos com carga nas costas, como mochilas de trilha.
Corpo travado ou sinal de alerta?
É comum sentir o corpo mais duro depois de um tempo parado, e isso, por si só, não é motivo de preocupação. Essa sensação costuma melhorar com alguns dias de movimento e exercícios de mobilidade. O que muda o cenário é a forma como o corpo se comporta durante o movimento, pois se a limitação persiste, vem acompanhada de dor ou obriga o corpo a compensar, e nesse caso vale prestar atenção.
"O sinal de atenção é quando essa limitação não melhora com o movimento, vem acompanhada de dor, desconforto, perda de força ou faz o corpo compensar durante o exercício", explica a especialista. Um exemplo prático seria não conseguir agachar, caminhar ou correr sem precisar compensar algum movimento, nesse caso, vale buscar orientação profissional em vez de insistir por conta própria.
Rotina de preparo, do geral ao individualizado
Existe uma rotina básica que pode ser um bom ponto de partida para a maioria das pessoas, com movimentos simples para tornozelo, quadril, coluna e ombros, trabalhando a amplitude de movimento de forma leve e sem dor. Mas essa rotina geral tem limites, já que quem tem alguma dor, limitação, histórico de lesão ou vai retomar uma atividade mais específica precisa de um trabalho de mobilidade mais individualizado.
O tempo necessário para se sentir seguro também não segue uma regra fixa, e depende do condicionamento da pessoa, de quanto tempo ela ficou parada e da atividade que pretende retomar. "O mais importante é voltar aos poucos, aumentando a intensidade conforme o corpo responde bem, sem dor e sem compensações", finaliza Fernanda.
