Manter a motivação nos treinos nem sempre é fácil, mas existe um segredo que pode transformar o exercício físico em uma experiência muito mais leve: treinar em grupo. Mais do que compartilhar esforços, essa prática cria conexões, gera energia coletiva e desperta aquela vontade extra de não faltar. Entenda como essa união pode fazer diferença no desempenho e até no prazer de treinar.

Coesão social e motivação

Sentir-se parte de uma comunidade reforça a motivação e torna o exercício uma parte natural da rotina. Seja em aulas coletivas de academia, grupos de corrida ou equipes esportivas, o mecanismo é o mesmo: coesão social → maior engajamento → maior adesão – explica o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto.

Coesão social é um conceito usado para descrever o grau de união, integração e senso de pertencimento entre os membros de uma sociedade ou grupo. Quando há coesão social, as pessoas se sentem parte de algo maior. Consequentemente, isso faz com que elas colaborem mais entre si, respeitem regras comuns e trabalhem juntas para o bem coletivo. Assim como nos treinos em grupo.

“As atividades coletivas costumam apresentar taxas de participação e continuidade mais altas do que treinos individuais. O ambiente coletivo estimula a regularidade e ajuda as pessoas a manterem o hábito por mais tempo, já que o compromisso passa a ser não só consigo mesmas, mas também com o grupo”, pontua o especialista.

Portanto, estar em um ambiente de treino em grupo traz o impacto positivo do suporte social. O incentivo dos participantes e instrutores, somado à sensação de pertencimento, cria disciplina e constância, tornando a experiência mais prazerosa e sustentável. Sendo esse um dos fatores mais importantes na manutenção da motivação.

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Pertencimento e reflexos mentais

Quanto aos impactos sentidos pelo corpo, Eduardo esclarece que as aulas de grupo , assim como o exercício físico em si, estimulam a liberação de endorfinas — substâncias responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar. Somando isso ao sentimento de união gerado dentro do grupo, é possível haver a transformação do exercício em uma experiência que vai além do cuidado com a saúde, trazendo também laços de convivência e momentos de alegria compartilhada.

Além disso, a prática em grupo permite que barreiras físicas e mentais sejam ultrapassadas com mais facilidade. “Quando o exercício é realizado em grupo, a percepção de esforço costuma ser menor, o que favorece a persistência e a disposição para continuar. O suporte coletivo ajuda a encarar os desafios com mais leveza e resiliência”, expõe Netto.

Outro ponto importante é a sensação de pertencimento. Exercícios em grupo criam laços sociais e senso de comunidade, o que fortalece a permanência no programa. O aluno não se sente apenas “fazendo atividade física”, mas parte de uma rede de apoio que valoriza seu progresso.

Eficácia e resultados

Apesar dos benefícios na manutenção da motivação, Eduardo explica que, os resultados de quem treina em grupo comparados aos de quem treina sozinho, depende muito do objetivo de cada participante. No entanto, a maior adesão observada em programas coletivos tende a se refletir em resultados mais consistentes ao longo do tempo.

“Quando o assunto é motivação, revisões sistemáticas mostram que programas coletivos são, em média, mais eficazes para estimular a motivação e garantir adesão em longo prazo, principalmente entre adultos e idosos”, pontua o especialista.

Contudo, é importante entender seu objetivo e, considerando os pontos positivos da prática em grupo, entender o que mais funciona. Em casos específicos como processos de reabilitação, pessoas que preferem treinos com mais privacidade ou com ansiedade social, programas individuais podem ser mais adequados.

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