Com o Dia Internacional da Mulher chegando, é importante enaltecer a força feminina como uma forma de autonomia. E o treino pode ser um caminho para construir mais segurança e tranquilidade no dia a dia. Continue lendo para entender mais.
Cenário de insegurança feminina
De acordo com uma pesquisa divulgada em dezembro de 2025 pelo Instituto Cidades Sustentáveis e abordada pela Agência Brasil, entre 2.066 mulheres entrevistadas em todo o país, 71% afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio nas ruas, em espaços públicos, no transporte público e por aplicativo, bares ou casas noturnas.
Esses dados evidenciam a realidade em que muitas mulheres vivem. E, para além das políticas públicas e das penalidades que os agressores deveriam sofrer, surge uma questão: como elas podem se sentir mais autônomas e com mais força dentro e fora de casa?
Treinar também é conquistar autonomia
O treino pode ser um caminho para gerar mais autonomia para as mulheres, construindo mais confiança. De acordo com a Gerente Nacional Acqua e Kids da Bodytech, Paula Toyansk, “a força muscular está diretamente ligada à capacidade funcional do corpo, ou seja, a capacidade de executar tarefas do dia a dia com independência, como para carregar compras e malas, levar os filhos no colo e subir escadas com menos esforço”.
Ela ainda ressalta que o treinamento de força também melhora a eficiência neuromuscular, aumenta a massa muscular e fortalece estruturas articulares, permitindo que a mulher tenha mais autonomia nas atividades cotidianas e ao longo do envelhecimento.
Além disso, a atividade física pode ajudar a mulher a se sentir mais confiante e segura no próprio corpo em diferentes fases da vida:
- Infância: brincadeiras e atividades estruturadas auxiliam na melhora da coordenação motora, da consciência corporal, do repertório motor e da autoestima, criando uma base mais sólida para o crescimento saudável.
- Adolescência/início da vida adulta: melhora a coordenação, o desempenho esportivo, a confiança corporal e ajuda na proteção contra lesões.
- Vida adulta e rotina intensa: reduz dores comuns, melhora a postura e aumenta a resiliência ao estresse físico do dia a dia.
- Gestação e pós-parto (com liberação do médico): fortalece a musculatura de suporte e facilita as demandas do cuidado com o bebê.
- Perimenopausa/menopausa: ajuda a combater a perda de massa magra e óssea, melhorando a autonomia e o metabolismo.
- Envelhecimento: reduz o risco de quedas, perda de funcionalidade e fragilidade, já que o treinamento de força estimula a síntese proteica muscular e a adaptação neuromuscular.
Saúde, força e performance
E é importante pensar na atividade física não apenas pela estética. “Quando o foco é performance você passa a desenvolver: força, resistência muscular, mobilidade e coordenação. Tende a criar metas objetivas e motivadoras (carga, repetições, técnica) e melhora, de fato, a saúde musculoesquelética. A estética costuma vir como consequência, mas sem a ansiedade do ‘corpo perfeito’”, comenta Paula.
Ao construir força com os treinos, há também o benefício de contribuir para a saúde hormonal, óssea e para a prevenção de lesões. A gerente nacional explica quais são as vantagens:
- Saúde hormonal/metabólica: o treino de força melhora a sensibilidade à insulina e ajuda no controle da gordura corporal, o que favorece o equilíbrio metabólico. Também pode melhorar sintomas relacionados ao humor e ao bem-estar.
- Saúde óssea: exercícios resistidos (e impactos bem dosados, quando cabíveis) ajudam a manter e elevar a densidade mineral óssea, importante na prevenção de osteopenia e osteoporose.
- Prevenção de lesões: músculos mais fortes protegem as articulações, melhoram a estabilidade e o controle do movimento, reduzindo sobrecargas repetitivas e o risco de lesões.
Orientações para treinar com segurança
Paula Toyansk compartilha algumas orientações para as mulheres que ainda têm receio da musculação: “O primeiro passo é começar com orientação adequada e exercícios básicos, focando na aprendizagem do movimento e sensação de segurança”. Em seguida, ela explica que o início pode acontecer com uma frequência de treinos de 2 a 3 vezes por semana, com exercícios de baixa complexidade motora, mais estáveis e com cargas confortáveis, evoluindo de forma gradual.
Por fim, a profissional reforça uma mensagem para todas as mulheres que desejam começar uma atividade física: “Todo mundo começa do zero. Confiança é resultado de repetição, orientação e pequenas vitórias. Treinar força não significa que você vai virar outra pessoa, significa construir um corpo mais capaz, mais saudável e mais independente”.
