Transpirar é uma das respostas naturais do corpo durante atividades físicas, e por isso muitos acreditam que suar mais significa emagrecer mais. Essa associação, porém, nem sempre reflete o que realmente acontece no organismo. É importante compreender como esse processo funciona e por que ele aparece em diferentes intensidades de pessoa para pessoa.
O que acontece quando suamos?
Segundo a especialista em Nutrição de Precisão, Patrícia Mirisola, suar é a forma que o corpo encontra para não superaquecer. Quando um corpo está em movimento durante a prática de exercícios físicos, cerca de 75% a 80% da energia gerada se transforma em calor.
“Para evitar que a temperatura do corpo suba demais, o cérebro aciona as glândulas de suor, que liberam um líquido feito basicamente de água, sódio e outros minerais. Quando esse suor evapora da pele, leva o calor embora junto. Cada litro de suor que evapora remove aproximadamente 580 kcal em calor. Mas atenção: esse processo é uma dissipação de calor, não queima de calorias”, pontua Patrícia.
Entretanto, a especialista alerta que esse processo varia de indivíduo para indivíduo, podendo ter múltiplos motivos:
- Genética: cada indivíduo possui variações genéticas que controlam as glândulas de suor;
- Condicionamento físico: pessoas mais bem condicionadas conseguem suar mais e mais rápido, pois o corpo se torna mais eficiente em se resfriar;
- Maior massa corporal: quanto maior a massa corporal, mais calor é produzido pelo corpo e com isso mais suor;
- Outros motivos: questões hormonais, nível de hidratação e até mesmo o quanto a pessoa está acostumada a treinar no calor.
Conhecer essas características individuais através de testes genéticos e uma avaliação personalizada com nutricionista de precisão possibilita que possam ser realizados ajustes de treino e alimentação específicos com base nas características individuais.
Suor e gasto calórico
Existe uma correlação indireta entre o suor e o gasto calórico. Patrícia explica que exercícios mais intensos geram mais calor e consequentemente mais suor, porém suar não é igual a queimar calorias. É possível suar intensamente em uma sauna sem gastar quase nada de energia. Enquanto isso, alguém treinando pesado num ambiente frio, mesmo suando pouco, pode apresentar gasto calórico elevado.
Desta forma, a quantidade de suor produzida pelo corpo não está diretamente relacionada ao gasto calórico. Fatores como carga, volume, progressão, frequência cardíaca e percepção de esforço são citados pela nutricionista como formas mais assertivas de medir eficácia dos treinos. Ela ainda completa que, saber se o treino está funcionando de verdade, exige olhar para dados concretos como composição corporal e marcadores bioquímicos, através de uma avaliação nutricional feita por um profissional.
Sendo assim, suar não significa perder calorias, mas sim água e minerais. O suor é 99% água, com sódio, cloreto, um pouco de potássio, cálcio e magnésio, explica a especialista. Enquanto isso, as células queimam a gordura e o corpo elimina esse resíduo principalmente na forma de CO₂ pela respiração.
Fatores que determinam o gasto calórico
Patrícia explica que o gasto calórico se dá através da combinação entre intensidade, duração e tipo de exercício. Além disso, o peso corporal também conta, visto que mover um corpo mais pesado exige mais energia. Treinos intensos estendem o gasto calórico através do efeito EPOC, fazendo com que o corpo siga gastando calorias mesmo após encerrar o exercício.
Assim como a taxa metabólica basal, que depende de genética, hormônios e composição corporal. Ela também influencia diretamente a quantidade de gasto calórico que cada indivíduo obtém.
