Você já se perguntou por que, após uma refeição completa e satisfatória, ainda sentimos aquela vontade irresistível de comer um docinho? O médico especialista em emagrecimento Cristiano Merheb esclarece esse fenômeno intrigante que muitos de nós experimentamos diariamente.

Raízes culturais e níveis de glicose

Como ressalta o Dr. Merheb, o hábito de terminar uma refeição com algo doce pode ter suas origens enraizadas em tradições culturais alimentares. Em muitas culturas, é comum encerrar as refeições com uma sobremesa, o que pode ser uma tradição transmitida ao longo das gerações. Esse padrão alimentar cria uma expectativa de recompensa após o almoço, influenciando nossa vontade de comer doces.

Além disso, durante a digestão dos alimentos, os níveis de glicose no sangue aumentam. Entretanto, quando esses níveis começam a diminuir, algumas pessoas experimentam uma queda na energia, o que pode desencadear a vontade de consumir algo doce para restabelecer rapidamente esses níveis.

Sentir fome após comer aquele docinho é comum?

Então, você já parou para pensar que mesmo após comer aquele docinho é comum sentir fome? O médico explica que esse comportamento não é apenas gula ou falta de força de vontade de quem está de dieta. Como os alimentos ricos em carboidrato oferecem sensação de bem-estar, a área do cérebro chamada de “área de recompensa” também é ativada quando os consumimos. “Esse ciclo vicioso acaba por prejudicar a saúde de todos, não apenas daqueles que estão acima do peso. Me refiro a qualquer tipo de doce, inclusive as bebidas. Por isso, os refrigerantes também são vilões, pois além do alto valor calórico, de elevarem o peso e aumentarem o risco de osteoporose, dão vontade de comer mais doces”, comenta.

Vale destacar que a fome é uma necessidade fisiológica do organismo para obter energia e nutrientes. Já se sentir saciado significa ficar satisfeito após se alimentar. E essa plenitude é regulada por vários mecanismos do nosso corpo, como os hormônios e o sistema nervoso. “Se atente para essa fome constante, principalmente se a refeição for balanceada. Nesse processo, a escolha dos alimentos é fundamental, já que alguns saciam mais do que outros”, finaliza.

Hiperinsulinismo e compulsão por doces

A compulsão por doces após as refeições também pode estar ligada a desequilíbrios metabólicos, como o hiperinsulinismo e a hipoglicemia reativa. Merheb explica que o hiperinsulinismo ocorre em pessoas cujos metabolismos se desequilibram devido a erros alimentares, como o consumo excessivo de alimentos ricos em carboidratos de alto índice glicêmico. Esse desequilíbrio pode levar a uma produção excessiva de insulina, resultando em quedas bruscas nos níveis de açúcar no sangue após as refeições e, consequentemente, à vontade de consumir doces para compensar essa queda.

Consequências do consumo excessivo de açúcar

É fundamental reconhecer os impactos negativos do consumo excessivo de açúcar na saúde. O Dr. Merheb adverte que isso pode levar a uma série de problemas, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardíacas e uma série de outras condições metabólicas. O açúcar contribui diretamente para o hiperinsulinismo e desempenha um papel significativo no desenvolvimento de complicações de saúde a longo prazo.

Alternativas saudáveis e mudanças de hábitos

Para aqueles que desejam satisfazer sua vontade de doces após as refeições de forma mais saudável, o Dr. Merheb sugere opções alternativas, como frutas frescas, que fornecem nutrientes essenciais ao corpo sem os efeitos negativos do açúcar refinado. Além disso, uma mudança nos hábitos alimentares, priorizando alimentos de baixo índice glicêmico e evitando o consumo excessivo de açúcar, pode ajudar a equilibrar o metabolismo e reduzir a compulsão por doces.

Entender os fatores que influenciam nossa vontade de comer doces após o almoço é essencial para adotar hábitos alimentares mais saudáveis e evitar os riscos associados ao consumo excessivo de açúcar. Com uma abordagem consciente e informada em relação à alimentação, podemos fazer escolhas que promovam a nossa saúde e bem-estar a longo prazo, garantindo uma vida mais equilibrada e plena.