Tosse, febre, calafrios e cansaço excessivo são alguns dos sintomas comuns em doenças respiratórias. Mas e quando esses sintomas comuns podem indicar um problema mais sério do que um simples resfriado? A pneumonia é uma das principais causas de internação no inverno e exige atenção redobrada. Nesta matéria, a pneumologista e membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia (SBP) e da Sociedade Paulista de Pneumologia (SPP), Dra. Maria Cecília Maiorano, esclarece quais sinais de alerta observar, como o diagnóstico pode ser realizado e quais opções de tratamento estão disponíveis.
O que é a pneumonia?
“A pneumonia é uma infecção nos pulmões que afeta os alvéolos (pequenas estruturas responsáveis pela absorção do oxigênio). Quando ocorre, esses alvéolos se enchem de secreção (muco ou pus), dificultando a respiração e a oxigenação do corpo”, explica a Dra. Maria. O desenvolvimento da doença pode ocorrer após gripes, resfriados ou pela inalação direta de microrganismos como bactérias e vírus.
Entretanto, embora bactérias e vírus sejam as causas mais comuns, fungos também podem provocar pneumonia, especialmente em pessoas com baixa imunidade. Indivíduos com doenças como diabetes, problemas cardíacos ou respiratórios crônicos e idosos precisam manter a atenção redobrada. Isso ocorre porque pessoas com sistema imunológico mais debilitado possuem mais dificuldade para combater infecções, aumentando o risco de desenvolver pneumonia grave e complicações associadas.
Outro ponto importante quando o assunto é pneumonia é a diferenciação entre os tipos da doença:
- Pneumonia comunitária – contraída fora do hospital;
- Pneumonia hospitalar – adquirida durante internações, geralmente mais grave;
- Pneumonia aspirativa – quando alimentos ou líquidos entram nos pulmões por engano.
A pneumologista pontua que, além disso, é possível classificar a pneumonia pelo agente causador, sendo ele bactéria, vírus ou fungo, o que influencia diretamente o tipo de tratamento necessário.
Como identificar os sintomas?
Os sintomas da pneumonia muitas vezes se confundem com os de outras doenças respiratórias. Visto que, os sintomas mais frequentes incluem tosse (com ou sem catarro), febre alta, dor no peito ao respirar, falta de ar, cansaço intenso, calafrios e sensação de mal-estar geral. Em pessoas mais velhas, a pneumonia pode se manifestar com confusão mental ou queda no estado geral, mesmo sem febre.
Embora haja semelhança, a especialista explica como diferenciar. “A pneumonia geralmente causa febre, que costuma ser mais alta e persistente se comparada à gripe. A falta de ar é mais evidente e o cansaço mais intenso. A pneumonia pode causar dor no peito ao respirar profundamente, o que não costuma acontecer na gripe e na bronquite. O estado geral pode ficar mais comprometido na pneumonia, levando a cansaço intenso e falta de apetite”, pontua.
A pneumonia pode se agravar em pessoas com imunidade baixa, como idosos, crianças pequenas, pacientes com doenças pulmonares e outras patologias crônicas (como diabetes ou problemas cardíacos). Logo, nesses casos, pode haver insuficiência respiratória e necessidade de internação hospitalar. A médica também destaca que caso sintomas como tosse, febre, falta de ar e dor no peito sejam intensos e persistentes, é importante procurar atendimento médico.
Diagnóstico e como tratar
Primeiramente, o diagnóstico da pneumonia se dá com base nos sintomas e através de exame físico (com ausculta pulmonar) e exames complementares. Dentre eles, o mais comum é o raio-X de tórax, que ajuda a visualizar a inflamação nos pulmões, explica a pneumologista. Outro exame comum utilizado para diagnosticar é a tomografia, que pode ser realizada quando persiste a suspeita de pneumonia, mesmo com RX normal. Para identificar o agente causador, os profissionais também podem utilizar exames de sangue e, em alguns casos, exames de escarro.
Quanto ao tratamento, a Dra. Maria pontua que ele depende diretamente do tipo de pneumonia, do agente causador e da gravidade do quadro. “Pneumonias bacterianas são tratadas com antibióticos. Já as pneumonias virais, em geral, melhoram com repouso, hidratação e medicações para alívio dos sintomas. Pneumonias fúngicas são tratadas com antifúngicos. Os casos mais graves, com falta de ar ou queda do estado geral, podem exigir hospitalização, oxigênio, ventilação artificial, antibióticos endovenosos e cuidados intensivos “, esclarece a médica.
A especialista também destaca que é possível prevenir a pneumonia. A prevenção inclui manter a vacinação contra gripe, COVID-19 e pneumococo em dia, ter hábitos de higiene como lavar bem as mãos, evitar contato com pessoas com sintomas respiratórios, usar máscaras em ambientes com aglomeração, manter boa alimentação, hidratação e prática regular de atividade física. Por fim, a médica destaca que não fumar também é fundamental, já que o cigarro prejudica a defesa natural dos pulmões.
