Obsessão por corpo e dieta pode ser transtorno

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Obsessão por corpo e dieta pode ser transtorno

A relação da sociedade com o corpo mudou bastante ao longo dos anos. Com as redes sociais repletas de imagens carregadas de filtros e tratadas por programas de edição, a referência de “corpo perfeito” ficou cada vez mais inatingível. Correções, como tirar uma celulite aqui e ali, colaboram com a não aceitação dos corpos reais e possíveis.

Essa incansável tentativa de alcançar um determinado padrão estético desencadeia diversos distúrbios. Dentre os mais conhecidos estão a anorexia e a bulimia, mas outros ainda estão começando a ser estudados e merecem nossa atenção, como a vigorexia e a ortorexia.

Para debater esse tema, entrevistamos o médico psiquiatra Higor Caldato, especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Higor explica que a vigorexia é um transtorno dismórfico corporal, que acontece quando se tem um incômodo com alguma parte do corpo, provocando uma visão deturpada sobre si mesmo. A grande preocupação em alterar o que não agrada faz com que a pessoa fique refém da atividade física, exigindo um grande esforço para manter um padrão alto de frequência nos exercícios, que pode contemplar mais de um treino por dia, com longos períodos de duração.

Assim o que era para ser saudável passa a ser uma obsessão. A atividade física começa interferir na vida social e a pautar o cotidiano da pessoa que desenvolve esse transtorno, fazendo com que ela altere compromissos, deixe de comparecer a aniversários, encontros e até se atrase para o trabalho: tudo em função de exagerada dedicação aos exercícios.

O grupo que apresenta o transtorno de vigorexia geralmente visa alcançar um ótimo percentual de massa magra e um corpo altamente musculoso. As consequências dessa compulsão são: dores musculares, insônia, irritabilidade, queda do desempenho sexual e ansiedade. Entenda o que é ansiedade e como tratá-la aqui.

Já a ortorexia é a obsessão por uma alimentação extremamente saudável, que assim como a vigorexia, faz com que um hábito positivo saia do campo da normalidade e se torne uma compulsão bastante perigosa. Geralmente, a pessoa com esse distúrbio não procura um acompanhamento nutricional e acaba caindo em algumas armadilhas, como considerar o carboidrato um grande inimigo.

Agindo por conta própria e excluindo alimentos importantes para o bom funcionamento do organismo, a pessoa fica exposta a grandes riscos de saúde. Um deles, para as mulheres, é a amenorreia (ausência de menstruação em um período), e até infertilidade.

Além da ameaça a saúde, esse transtorno também afeta a sociabilidade. Uma alimentação totalmente regrada faz com que comer fora de casa seja um pesadelo ou mesmo deixe de ser uma possibilidade. Pessoas que desenvolvem esse distúrbio sentem a necessidade de ter o controle sobre todas as refeições ao longo do dia, desde o processo de preparo até a quantidade ingerida.

O tratamento certo para quem identifica esse tipo de transtorno, segundo Higor Caldato, deve ser multidisciplinar. Um psicólogo deve realizar uma terapia cognitiva comportamental junto ao seu paciente e estimular que ele identifique os aspectos positivos de sua aparência, que façam contraposição aos dos padrões corporais inatingíveis.

“É preciso respeitar as limitações particulares e entender que cada pessoa tem um biotipo diferente. A solução é cuidar da saúde mental e reconhecer e investir em suas potencialidades corporais, aliando com atividade física individualizada e principalmente, flexibilizada. É necessário sempre ter equilíbrio.”, reforça Higor Caldato.

Por |2019-03-19T12:26:11-02:0013/03/2019|