Uma boa alimentação, rica em verduras, legumes, proteínas e fontes de vitaminas, contribui para uma vida mais saudável e cheia de benefícios. Além disso, comer bem ajuda na prevenção de diversos problemas e doenças. Mas você sabia que a alimentação pode ser um verdadeiro divisor de águas para quem convive com a epilepsia? Continue lendo e entenda melhor.

O que é epilepsia? 

A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, causadas por uma atividade elétrica anormal no cérebro. Elas podem se manifestar de diferentes formas, como convulsões, alterações de consciência, movimentos involuntários ou mudanças sensoriais e comportamentais, variando de intensidade e duração conforme o tipo de epilepsia.

Pode ter diferentes causas, incluindo fatores genéticos, lesões cerebrais, infecções, tumores ou alterações no desenvolvimento do sistema nervoso, e também pode não ter uma causa identificável. Apesar de não ter cura, a epilepsia pode ser controlada na maioria dos casos com acompanhamento médico adequado, uso de medicamentos e, em algumas situações, ajustes no estilo de vida.

Qual é a relação entre alimentação e epilepsia?

Para controlar a epilepsia, existem os medicamentos anti-crise, que possuem o objetivo de controlar a entrada e saída de íons de cálcio, sódio e potássio e dessa forma regular as descargas elétricas desordenadas que podem gerar crises epilépticas.

Entretanto, de acordo com o nutricionista e neuronutricionista com pós-graduação em neurociências, Gustavo Corrêa, o controle das crises deve considerar diversos outros aspectos: “e é justamente aí que a alimentação pode fazer papel determinante, contribuindo para ofertar nível adequado de energia para o cérebro, para reduzir neuro-inflamação e estresse oxidativo e para melhorar a composição da flora intestinal”.

E existem padrões alimentares que já demonstraram benefícios no controle de crises de epilepsia de difícil manejo. “Para muitos casos uma dieta baseada em vegetais, com adequado aporte de fibras prebióticas, acrescida de fontes de gordura vegetal e acréscimo de triglicerídeos de cadeia média (TCM), pode trazer resultados positivos, sem que haja as severas restrições alimentares da cetogênica clássica, bem como reduzindo seus potenciais efeitos colaterais”, informa o profissional.

Alimentos que podem ou não piorar as crises de epilepsia

Alguns nutrientes e grupos alimentares atuam como aliados na saúde neurológica de quem convive com a epilepsia. “Fontes alimentares que fornecem gorduras de boa qualidade (como azeite, abacate e algumas fontes de TCM), proteínas adequadas e fibras bem escolhidas para alimentar o intestino, oriundas de vegetais, são a base do processo”, explica Gustavo Corrêa.

Sendo assim, recomenda-se equilibrar um plano alimentar rico em vitaminas do complexo B, magnésio, zinco, ferro, selênio, além de vitaminas e minerais em geral, e antioxidantes naturais.

Por outro lado, há alimentos e substâncias que podem atuar como gatilhos para crises epilépticas. “Fontes de carboidratos simples (pães, massas, doces, bolos, refrigerantes, açúcar, mel) fazem picos de glicemia que podem desorganizar o metabolismo, algo especialmente sensível para quem convive com epilepsia”, afirma o neuronutricionista.

Além disso, alimentos ultraprocessados, corantes, conservantes, adoçantes artificiais e o álcool atuam como agentes pró-inflamatórios e oxidantes, podendo também funcionar como gatilhos, a depender da pessoa. “Cada organismo reage de um jeito. Por isso, observar, registrar e ajustar faz parte do cuidado”, salienta o especialista.

Em resumo, pessoas que vivem com as crises de epilepsia necessitam de uma abordagem nutricional individualizada, já que não se trata de uma doença única. “Existem diferentes tipos de crises, causas, idades, histórias clínicas, medicamentos e realidades familiares. O que funciona para um pode não funcionar para outro”, aconselha Gustavo.

Dicas finais 

Especialmente nos casos de epilepsia de difícil controle, que não respondem adequadamente a medicamentos e procedimentos cirúrgicos, a neuronutrição pode desempenhar um papel fundamental. “Atendo pacientes que vinham de muitas tentativas frustradas em anos de terapias que não consideravam a nutrição como importante. Alguns tiveram oitenta por cento de redução, outros um pouco menos e há até casos de controle total”, comenta Corrêa.

Mas também é preciso atenção, pois a alimentação pode potencializar ou interferir na ação dos medicamentos antiepilépticos. “Deficiências nutricionais podem aumentar efeitos colaterais. Em alguns casos, a alimentação adequada melhora a resposta ao remédio, em outros, permite até reduzir ajustes excessivos de dose”, ressalta o profissional.

Gustavo também destaca que a alimentação não substitui o medicamento, mas pode contribuir para que ele funcione melhor. Ainda assim, o acompanhamento de um profissional em todas as etapas é fundamental para a melhora da qualidade de vida de pessoas que convivem com epilepsia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar