O uso das redes sociais pode afetar diretamente a saúde física, mental e social dos jovens. Mas como ajudá-los a equilibrar essa relação? A médica psiquiatra Denise Gobo, formada pela UNAERP e especializada em psiquiatria, traz reflexões importantes sobre o tema. Ela destaca a importância da moderação, da educação e da promoção de atividades offline, como esportes e a vida escolar.
O papel da moderação e da autoconsciência
Para Denise, a moderação é fundamental. Mais do que simplesmente restringir o tempo de tela, é essencial estimular escolhas conscientes. “O adolescente precisa desenvolver estratégias de autorregulação, entender o que está consumindo e buscar atividades que tragam bem-estar e aprendizado”, explica. Pais e educadores devem acompanhar de perto esse processo, evitando o uso passivo e excessivo, especialmente entre meninas, que costumam ser mais afetadas pelas comparações sociais comuns nas redes.
Como o excesso afeta a saúde física e mental?
Diversos estudos, como os artigos Cérebros Online e Vidas Online, mostram que as redes sociais são projetadas para capturar e manter a atenção, o que prejudica a concentração e aumenta o risco de distúrbios de imagem corporal e transtornos alimentares. Além disso, o tempo excessivo online substitui atividades essenciais, como o sono e a prática de esportes, prejudicando ainda mais o equilíbrio físico e emocional dos adolescentes. Outro ponto de atenção é o chamado FOMO (Fear of Missing Out ou medo de ficar de fora), que alimenta a ansiedade e a compulsão por estar sempre conectado.
Qual o tempo recomendado?
Não existe uma fórmula única. O mais importante, segundo Denise, é a qualidade do tempo online. Pesquisas sugerem que um uso moderado, entre 1 e 2 horas por dia, costuma ser mais associado ao bem-estar e ao bom funcionamento psicossocial. Além disso, é fundamental priorizar conteúdos que estimulem aprendizado e bem-estar.
Como pais e educadores podem contribuir?
Denise sugere cinco estratégias simples e eficazes:
- Conscientizar sobre como as redes sociais impactam a saúde e prendem a atenção.
- Incentivar a autogestão, ajudando o adolescente a monitorar seu tempo e suas escolhas online, com a ajuda de aplicativos, se necessário.
- Estimular atividades offline, como esportes, hobbies e momentos de convívio familiar e social. O esporte, em especial, é um fator protetor para a saúde física, mental e social.
- Estabelecer limites, principalmente antes de dormir. Reduzir o uso de telas de 1 a 2 horas antes de dormir melhora a qualidade do sono.
- Educar para o senso crítico, abordando temas como autoestima, corpo, padrões de beleza e relações saudáveis.
O lado positivo das redes
Apesar dos riscos, as redes sociais podem ser grandes aliadas quando bem utilizadas. “É importante buscar conteúdos que incentivem a aceitação da diversidade, o autocuidado, informações de qualidade sobre saúde e bem-estar, e que mostrem o esporte como fonte de prazer e não apenas como um caminho para um padrão estético”, reforça Denise.
Como evitar comparações prejudiciais?
A principal ferramenta é fortalecer o senso crítico dos adolescentes. Conversar abertamente sobre os conteúdos, limitar o acesso a páginas que incentivem padrões irreais de beleza e estimular relações saudáveis, dentro e fora da internet, são atitudes que fazem a diferença.
Redes sociais fazem parte do cotidiano dos jovens. O segredo está em equilibrá-las com atividades esportivas, sociais e educativas, transformando-as em aliadas — e não em vilãs — no desenvolvimento saudável dos adolescentes.

