*Por Gabriel Alvarenga, Nutricionista

 

O glúten, proteína presente no trigo, cevada, centeio e aveia é hoje um tema polêmico quando se trata de alimentação e emagrecimento.

Em geral, as pessoas sempre mencionam ácaros, poeira, pólen e mofo como os principais desencadeadores de alergias. Porém, o que a maioria não sabe é que, muitas vezes, os alimentos são causadores de reações alérgicas.

A grosso modo, existem dois tipos principais de alergias: as agudas e as tardias. A primeira ocorre quase imediatamente após a exposição ao disparador do processo. Um exemplo: um alérgico a camarão sente a glote começar a fechar depois de comer o mesmo. Esta reação é mediada por um tipo de anticorpos chamados IgE.

Já a segunda é aquela que ocorre bem depois da exposição ao alérgeno. O indivíduo ingere o alimento em questão e só muitas horas ou alguns dias depois é que irá notar o inicio dos sintomas, que podem incluir alterações no trato respiratório, como rinite alérgica (coriza, espirros, congestão nasal) e sinusite. Estas reações são mediadas por outro tipo de anticorpos, os IgG, ou também por IgE.

O glúten, os laticínios, os ovos, a soja, o amendoim e os peixes são os alimentos considerados estatisticamente os com maior potencial alérgico. Como pessoas diferentes tem sensibilidades variadas aos alimentos, enquanto uns são alérgicos a glúten, outros não são.

Digamos que um indivíduo seja pré-disposto a apresentar alergia tardia a glúten e venha a ingeri-lo com frequência na forma de pães, cerveja, biscoitos, etc. Provavelmente, ele apresentará sintomas crônicos como alterações intestinais, rinite, problemas de pele. Porém, estes sintomas apenas refletem um processo interno envolvido com liberação de susbstâncias como o hormônio cortisol e interleucinas pró-inflamatórias. Este processo facilita a instalação de um quadro inflamatório e, hoje, sabemos que a inflamação, em termos simples, “engorda”.

Há vários estudos recentes que relacionam alergia crônica e ganho de peso. Isto porque o corpo inflamado e a produção de corticóides afeta negativamente o metabolismo e tem, como uma das suas consequências, o aumento da resistência insulínica. De maneira geral, isso significa que, ao comer um carboidrato, o indivíduo engordará mais que o normal, porque o corpo produzirá quantidades maiores de insulina, o hormônio que mais contribui para a engorda. Sendo assim, em uma pessoa com alergia a um determinado tipo de alimento (por exemplo o glúten), a sua exclusão da dieta tende a inverter este processo vicioso e, consequentemente, facilita a perda de peso.

É importante salientar, no entanto, que nem todas as pessoas são alérgicas, seja a glúten, laticínios e ou qualquer outro tipo de alimentos. A exclusão de qualquer grupo alimentar em uma pessoa normal é desnecessária e não traz vantagens. Para descobrir se você tem algum tipo de alergia, procure um alergista e faça um teste que vai detectar o potencial alérgico de cada alimento sobre a sua imunidade.