A menopausa é um marco na vida das mulheres e sinaliza o fim do período reprodutivo e o início de uma nova fase. Embora seja um processo fisiológico esperado que aconteça, essa transição traz várias mudanças físicas e emocionais que podem impactar o dia a dia e até a forma como a pessoa se vê. Para muitas, esse período é acompanhado de dúvidas e incertezas, mas saber o que está acontecendo no corpo, adotar novos hábitos e contar com o apoio de pessoas queridas pode tornar tudo menos desafiador.
Sobre o climatério
Após doze meses consecutivos sem menstruar, a mulher pode considerar que está no climatério, fase que ficou conhecida popularmente com o nome de menopausa. Mas a menopausa em si seria tecnicamente a última menstruação, que geralmente acontece entre os 48 e 51 anos de idade. De acordo com Maria Celeste Osório Wender, Presidente da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o climatério é a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher, caracterizado pela progressiva perda da função dos ovários em produzir folículos e hormônios sexuais femininos, como o estrogênio e a progesterona.
É um processo, e, como explica a médica, cheio de nuances, com diversos pontos em comum nos relatos das mulheres, mas também diferenças. “Os sinais mais comuns em ordem cronológica são: irregularidade menstrual, sintomas vasomotores (os calores e os suores noturnos) e alterações do sono e de humor. Algumas vão sentir uma diminuição da memória e dificuldades para se concentrarem. Mais adiante, a queixa universal é a secura vaginal e dores durante relações sexuais.
Como fica o emocional e o papel da rede de apoio
Não é difícil imaginar o impacto que essas transformações e flutuações hormonais podem gerar emocionalmente. Tristeza, ansiedade e irritabilidade, aparentemente sem motivo, são comuns e também influenciam as relações. “Muitas vezes, elas buscam ajuda médica porque pessoas queridas perceberam essas mudanças de comportamento”, comenta Celeste. Por isso, assim como em qualquer período de grandes mudanças, redes de apoio dispostas a acolher sem julgamentos, formada por amigos, parcerias, filhos e ou sobrinhos, são tão determinantes. Pessoas disponíveis para ouvir, estar por perto e amenizar as dúvidas e as inseguranças a partir de conversas, da presença e do afeto podem mudar a experiência com o climatério/ menopausa.
Fatores que dificultam e como driblá-los
Além da ausência de vínculos, outras questões ligadas a hábitos podem tornar o período mais desafiador. Alimentação desregrada e falta de atividade física são os principais deles. Nesse sentido, segundo Celeste, é importante investir em manter o peso corporal, cuidar das escolhas alimentares e adotar algum exercício físico. Buscar espaços de convívio social, resgatar velhas amizades e ou fazer novas também contribui para afastar o desânimo e a solidão.
Outra possibilidade interessante é buscar podcasts, entrevistas, documentários e reportagens onde mulheres falam das suas experiências de vida, não só sobre menopausa. Entrar em contato com esse tipo de conteúdo pode diminuir a sensação de estranhamento e afastar a ideia de que só a pessoa está passando por isso, convivendo com essas perguntas, inseguranças e transformações, quando na verdade, é algo comum a muitas.
Quem eu fui até agora e como me imagino daqui para frente?
Apesar de testemunharmos avanços em relação aos papéis ocupados por nós na sociedade, boa parte das mulheres de meia idade hoje ainda têm ou tiveram suas vidas preenchidas pelo cuidado do outro e por triplas jornadas de trabalho, envolvendo filhos, irmãos, pais idosos, casa e carreira profissional. Grandes responsabilidades que muitas vezes distanciam por anos essa mulher do cuidado com ela mesma.
Embora difícil e desconhecida em um primeiro momento, a menopausa é sem dúvida um momento de reflexão e um convite a um balanço das escolhas feitas até aqui, sobre a vida como um todo e, principalmente, a uma possível e rica redefinição de rota. O momento pode ser propício para iniciar um trabalho terapêutico, caso a pessoa sinta vontade. Celeste conta que muitas pacientes passam a construir novos hábitos, olhando com mais atenção para os seus próprios desejos e privilegiando, algumas pela primeira vez, seu bem-estar e saúde.
Tratamento dos sintomas
Além de adotarem hábitos mais saudáveis, as mulheres que têm sintomas mais graves precisam ser levadas em conta e receber o tratamento adequado. Segundo a médica, nesses casos, o caminho idealmente é a reposição dos hormônios femininos que os ovários reduziram ou pararam de produzir. A decisão pela reposição hormonal só deve ser tomada em conjunto com um médico de confiança, após a avaliação minuciosa desse profissional. “A informação de qualidade nessas horas é fundamental para que as pacientes não caiam em promessas milagrosas, que além de serem frustrantes, podem trazer sérios riscos à saúde. Se consultar com um ginecologista de confiança faz toda a diferença,” explica a especialista.
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