Com rotinas cada vez mais digitais e longos períodos sentados, manter-se ativo se tornou um desafio comum. O sedentarismo está diretamente ligado a um estilo de vida sedentário, que limita as oportunidades de movimento ao longo do dia e impacta a saúde física e mental. Para entender o que pode ajudar a mudar esse cenário e quais são os principais obstáculos à prática regular de atividade física, conversamos com o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto.
O efeito do estilo de vida nas escolhas de movimento
O cansaço cognitivo influencia diretamente as decisões relacionadas ao movimento. Segundo Eduardo Netto, “o desgaste mental reduz a capacidade de tomar decisões ativas. Após um dia intenso, o cérebro tende a priorizar escolhas de menor esforço, como o descanso passivo”, o que diminui a disposição para se exercitar.
Além disso, o contexto atual também contribui para a falta de movimento: longos períodos sentados e deslocamentos feitos, em sua maioria, de carro ou transporte público. Nesse cenário, como explica o especialista, “muitas pessoas não optam deliberadamente por serem sedentárias; elas apenas se ajustam a um ambiente que reduz, de forma sistemática, as oportunidades de movimento”.
Mudanças que cabem na vida real
Diante desse cenário, estratégias rígidas tendem a falhar. Para que a mudança seja sustentável, ela precisa se adaptar à rotina. Como destaca Eduardo, “transformações duradouras precisam ser compatíveis com a vida real, com metas alcançáveis e foco na regularidade”.
Algumas atitudes simples para começar a se movimentar mais no dia a dia incluem:
- Optar por deslocamentos mais ativos sempre que possível;
- Escolher atividades que façam sentido para a fase de vida atual;
- Priorizar a constância, mesmo com pouco tempo disponível.
Motivação que se sustenta no dia a dia
A relação emocional com o exercício é decisiva para a continuidade do hábito. Quando a prática gera sensações positivas, ela tende a se repetir. “Quando o exercício é percebido como recompensa, e não como obrigação, o hábito se consolida com mais facilidade”, explica o diretor técnico.
Essa mudança de percepção ajuda a reduzir a ideia de que se movimentar é apenas mais uma tarefa do dia, aproximando a atividade física de uma fonte de bem-estar, prazer e alívio do estresse.
Atividade física como estilo de vida, não obrigação
Com o tempo, o movimento deixa de ser um esforço pontual e passa a fazer parte da identidade da pessoa. “A mudança acontece quando o discurso interno passa de ‘eu tenho que treinar’ para ‘eu sou uma pessoa ativa’”, afirma o profissional.
Quando a atividade física se torna um estilo de vida, ela passa a influenciar decisões cotidianas, tornando a manutenção do hábito mais natural e menos dependente de motivação constante.
Combater o sedentarismo envolve ajustes possíveis, escolhas realistas e uma relação mais positiva com o movimento. Pequenas mudanças, quando consistentes, são suficientes para gerar impactos significativos na saúde ao longo do tempo.

