O jejum intermitente tem se tornado uma estratégia popular para quem deseja perder peso e melhorar o controle alimentar. No entanto, essa prática pode apresentar riscos, especialmente para pessoas com tendência à compulsão alimentar. A endocrinologista Priscilla Martins explica como essa abordagem funciona e quais cuidados ajudam a evitar armadilhas no processo.
Para quem o jejum intermitente é indicado e quem deve evitá-lo?
Segundo a Dra. Priscilla Martins, o jejum intermitente pode beneficiar aqueles que desejam reduzir a ingestão calórica sem precisar contar calorias ou seguir dietas tradicionais. Ele promove a diminuição da ingestão alimentar de forma mais natural, permitindo maior flexibilidade durante a janela de alimentação. No entanto, a médica ressalta que os benefícios vêm da restrição calórica gerada pela estratégia, e não do jejum em si.
Por outro lado, crianças, lactantes e idosos devem evitar essa prática. Além disso, pessoas com doenças crônicas ou transtornos alimentares, como compulsão alimentar, precisam ter cautela antes de aderir ao jejum intermitente.
Existe relação entre jejum intermitente e episódios de compulsão alimentar?
Sim. A Dra. Priscilla Martins destaca que vários estudos mostram como o jejum pode intensificar episódios de compulsão alimentar, especialmente em quem tem dificuldade de controlar os impulsos. Quanto mais longo o jejum, maior a chance de perder o controle na alimentação. Isso ocorre por diferentes motivos:
- Aumento da grelina (hormônio da fome) – Durante o jejum, os níveis desse hormônio sobem progressivamente. Quando permanecem elevados por muito tempo, o desejo de comer se torna intenso, favorecendo episódios de compulsão alimentar.
- Recompensa cerebral exagerada – A privação prolongada de alimentos faz o cérebro liberar dopamina de maneira intensa quando a pessoa come, aumentando a sensação de prazer. Esse mecanismo pode levar à perda de controle, principalmente com alimentos ultraprocessados.
- Oscilações na glicose – Quando a quebra do jejum acontece com refeições ricas em carboidratos refinados, o corpo libera uma grande quantidade de insulina. Como consequência, a glicose pode cair rapidamente, provocando um novo episódio de fome intensa e compulsão alimentar.
- Efeito psicológico da restrição – Restrições alimentares rígidas podem gerar obsessão por certos alimentos, tornando-os ainda mais desejáveis. Esse fenômeno pode aumentar a tendência à compulsão.
Quais sinais indicam que o jejum prejudica a relação com a comida?
De acordo com a Dra. Priscilla Martins, alguns sinais de alerta incluem:
- Comer rapidamente e sem controle ao encerrar o jejum.
- Sentir-se incapaz de parar de comer.
- Passar o período de jejum pensando obsessivamente no que vai comer depois.
Se esses sintomas aparecerem, é essencial reavaliar a estratégia e buscar orientação profissional.
Como fazer um jejum equilibrado?
A endocrinologista explica que o jejum intermitente pode funcionar para algumas pessoas, desde que seja conduzido com equilíbrio. Algumas recomendações importantes incluem:
- Começar com períodos menores de jejum e aumentá-los gradativamente.
- Observar como o corpo reage durante e após o jejum.
- Priorizar refeições nutritivas na janela de alimentação, ricas em fibras e proteínas.
- Evitar açúcares e ultraprocessados para manter a saciedade.
- Contar com o acompanhamento de um profissional para evitar extremos.
Estratégias para melhorar a alimentação sem exageros ou restrições extremas
Para a Dra. Priscilla Martins, a chave está no equilíbrio. Em vez de focar em restrições rígidas, o ideal é construir uma relação saudável com a comida. A alimentação deve ser nutritiva, mas também permitir momentos de prazer sem culpa. Além disso, buscar ajuda profissional pode fazer toda a diferença na construção de hábitos sustentáveis.
Se você pensa em adotar o jejum intermitente, avalie seu perfil, observe sua relação com a comida e consulte um especialista para garantir que a estratégia seja segura e eficaz para você!
