As chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), vêm ganhando destaque como uma alternativa no tratamento do sobrepeso e da obesidade. Essas substâncias atuam diretamente na regulação do apetite e da glicose, promovendo maior saciedade e contribuindo para a redução da ingestão alimentar.

Apesar da popularidade, é importante desmistificar a ideia de solução rápida ou “milagrosa”. Quando utilizadas sem orientação adequada, essas medicações podem trazer mais riscos do que benefícios.

Neste conteúdo, a nutricionista esportiva e clínica Nathalia Schnaak e a endocrinologista Priscilla Martins explicam como o uso das “canetas” pode ser inserido de forma segura em uma estratégia de emagrecimento sustentável

Para quem as “canetas emagrecedoras” são indicadas?

A prescrição de medicamentos à base de GLP-1 deve ser feita por um médico e considerar uma análise completa do paciente, incluindo histórico clínico, tentativas prévias de emagrecimento, padrão alimentar e estilo de vida.

Em geral, essas medicações são indicadas quando outras abordagens não foram suficientes ou quando há fatores de risco associados. Segundo Nathalia Schnaak, “do ponto de vista nutricional e clínico, essas medicações costumam ser indicadas para pessoas com obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) associado a comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão ou resistência à insulina”.

Por atuarem diretamente no sistema hormonal, os análogos de GLP-1 devem ser utilizados com critério. A endocrinologista Priscilla Martins ressalta: “esses medicamentos são excelentes ferramentas para quem está com excesso de peso e precisa melhorar a saúde metabólica, mas sempre devem ser utilizados sob indicação e orientação médica, com diretrizes específicas. Apesar de serem medicamentos seguros, podem gerar efeitos colaterais gastrointestinais como náuseas, vômitos, constipação ou diarreia e, por isso, precisam ser avaliados individualmente.”

Além dos desconfortos gastrointestinais, em casos mais raros, também podem ocorrer complicações como pancreatite, alterações na vesícula biliar e episódios de hipoglicemia.

Como deve ser a alimentação durante o uso?

Como essas medicações reduzem o apetite, é natural que o volume de ingestão alimentar diminua. Por isso, a qualidade da dieta se torna ainda mais importante.

Durante o uso, é fundamental priorizar:

  • ingestão adequada de proteínas, para preservar a massa muscular
  • consumo de vegetais, frutas e fibras
  • inclusão de gorduras boas
  • hidratação constante


Mesmo comendo menos, é essencial manter refeições equilibradas. “Evitar dietas muito restritivas e organizar bem o fracionamento das refeições ajuda a reduzir desconfortos gastrointestinais e previne deficiências nutricionais”, orienta Nathalia.

Principais pontos de atenção:

  • Utilizar a medicação como solução isolada;
  • Não ajustar a alimentação e o estilo de vida;
  • Ingerir pouca proteína;
  • Pular refeições com frequência;
  • Negligenciar a prática de atividade física.


Outro ponto crítico é o uso sem orientação médica ou nutricional, que aumenta o risco de efeitos colaterais, perda de massa muscular e recuperação do peso após a interrupção do tratamento.

Sem uma estratégia consistente de manutenção, o chamado “efeito rebote” pode acontecer, com retomada rápida do peso perdido.

O papel do acompanhamento profissional

Por impactarem diretamente o sistema hormonal e o comportamento alimentar, as medicações à base de GLP-1 devem estar inseridas em uma abordagem completa.

O acompanhamento nutricional é essencial para garantir que o emagrecimento aconteça de forma equilibrada, com preservação da saúde e maior chance de manutenção dos resultados no longo prazo.

Logo, o tratamento não é uma solução isolada. O uso das “canetas” deve fazer parte de uma estratégia integrada, que inclui alimentação adequada, prática regular de exercícios e mudanças sustentáveis no estilo de vida.

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