Muitos praticantes de exercícios, amadores ou profissionais, estão sujeitos à síndrome de “overtraining”, ou seja, treinos em excesso.

Ainda pouco conhecida, essa síndrome pode levar a danos físicos e mentais, principalmente naqueles com alta intensidade de treinos. Grosso modo, é quando há um desequilíbrio na balança TREINAMENTO x DESCANSO e ALIMENTAÇÃO, não permitindo a reposição das reservas energéticas musculares.

O desconhecimento dos sintomas faz com que muitas vezes o diagnóstico passe despercebido, e a pessoa pense apenas que anda “muito cansada”.

Na síndrome, o corpo reclama desde o início do aquecimento até o final da atividade, diferentemente do que ocorre durante um treino forte, em que, apesar do cansaço, consegue-se voltar e treinar ainda mais.

Dentre as principais causas podemos destacar:
Alimentação pobre em energia e nutrientes;
Falta de descanso, não reparando microtraumas;
Altos níveis de cortisol, hormônio que “quebra” o músculo para produzir energia;
Distúrbios hormonais, como a tríade da mulher atleta.

Infelizmente não existem exames específicos para chegar a um diagnóstico, então devemos redobrar a atenção para os sintomas abaixo:

Perda de rendimento (um dos primeiros sintomas);
Cansaço (não é preguiça!);
– Resfriados frequentes;
– Dor muscular persistente;
Contusões musculares, tendinites e fraturas por estresse;
– Aumento da frequência cardíaca durante o repouso;
– Insônia;
– Perda de apetite;
– Irritabilidade, ansiedade e depressão.

A síndrome é mais comum do que imaginamos, e muitas vezes passamos por quadros brandos que são resolvidos espontaneamente ao reduzirmos a carga de treino pelo cansaço. O tratamento específico é a redução drástica do treino ou, nos casos mais graves em que há queda na imunidade, a interrupção deles. Reposições de vitaminas e nutrientes são necessárias em alguns casos.

A prevenção, portanto, é o fator mais importante. Dessa forma, fique atento às dicas abaixo:
Respeite as planilhas e os descansos;
– Mantenha uma alimentação equilibrada, ingerindo todos os nutrientes nos momentos corretos. Dieta restritiva não combina com corrida, Crossfit, bike…
– Em casos específicos, suplementação com BCAA, isotônicos, glutamina, ômega 3 e antioxidantes deve ser prescrita pelo profissional habilitado. Bons treinos!

*Sérgio Maurício é ortopedista, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho e da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Corredor de Maratona e meia-maratona, é também praticante de triatlhon olímpico e fará seu primeiro meio-ironman no Rio de Janeiro, em novembro. Pratica natação, musculação e Indoor Cycle na Bodytech.