É comum ouvir que correr pode prejudicar ou agravar problemas nas articulações. Mas até que ponto isso é verdade? Para esclarecer o tema, conversamos com o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto. Confira a seguir.

Afinal, a corrida fortalece ou prejudica?

De modo geral, a corrida em caráter recreacional não provoca desgaste articular automático e pode ter efeito neutro ou até favorável às articulações. Segundo o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto, os riscos aparecem quando a carga aplicada ultrapassa a capacidade de adaptação dos tecidos. Logo, a corrida deixa de ser benéfica e passa a sobrecarregar as articulações quando há:

  • Progressões rápidas de treino;
  • Excesso de sessões intensas sem descanso adequado;
  • Dor que se intensifica ao longo do tempo;
  • Persistência no treino mesmo com inchaço articular;
  • Retorno precoce após lesões, sem critérios claros de força, função e tolerância.

Além disso, a ideia de que a corrida provoca desgaste do joelho é amplamente difundida, mas, para a maioria dos praticantes, essa associação é superestimada. “A corrida não aumenta necessariamente o risco de osteoartrite e pode até estar associada a menor incidência quando comparada ao sedentarismo. O maior cuidado deve ser com cargas crônicas elevadas somadas a fatores individuais, como lesões prévias ou dor recorrente”, destaca o especialista.

Existem benefícios da corrida para as articulações?

A corrida é uma prática positiva para a saúde e, quando bem orientada, também contribui para as articulações, sendo os membros inferiores os mais estimulados, especialmente quadril, joelhos, tornozelos e pés. “Quando bem prescrita, a corrida promove estímulos mecânicos adequados que favorecem adaptações em cartilagem, osso subcondral, tendões e músculos, além de melhorar o controle neuromuscular e a tolerância à carga”, afirma Eduardo.

Para além disso, correr também impacta positivamente a saúde como um todo:

  • Melhora o condicionamento cardiorrespiratório;
  • Reduz o risco de doenças cardiovasculares;
  • Auxilia no controle do peso corporal;
  • Melhora a sensibilidade à insulina;
  • Reduz o estresse e melhora o humor (liberação de endorfinas);
  • Melhora a qualidade do sono;
  • Aumenta a disposição e energia no dia a dia;
  • Contribui para a longevidade e qualidade de vida.

Como correr com segurança?

Depois de entender que a corrida pode ser extremamente benéfica quando praticada com orientação, é importante ficar atento a alguns cuidados, principalmente para iniciantes, intermediários e avançados. Eduardo Netto explica:

  • Pessoas iniciantes costumam apresentar maior vulnerabilidade a sintomas articulares devido à baixa tolerância tecidual associada a progressões inadequadas;
  • Corredores intermediários tendem a responder melhor, pois já desenvolveram adaptações graduais;
  • corredores avançados, embora mais adaptados, podem apresentar maior risco quando acumulam grandes volumes de treino com recuperação insuficiente.

Outros fatores que exigem atenção são o peso corporal elevado e a carga absoluta aplicada a cada passo, enquanto o volume e a intensidade determinam o estresse acumulado ao longo do tempo. “Já o padrão de pisada, isoladamente, tem menor impacto do que a forma como a carga é distribuída, considerando aspectos como cadência, técnica de aterrissagem, progressão do treino, histórico de lesões, força muscular e qualidade da recuperação”, comenta o profissional.

Para que o treino de corrida seja mais vantajoso, é essencial incluir o fortalecimento muscular como estratégia de proteção articular. “O fortalecimento de quadríceps, glúteos, panturrilhas e musculatura intrínseca do pé aumenta a capacidade de absorção e redistribuição das cargas, reduz o estresse relativo sobre as articulações e é componente central na prevenção e no tratamento de condições como a dor femoropatelar”, orienta Eduardo Netto.

E o corpo pode emitir alguns sinais de que as articulações não estão respondendo bem à prática da corrida, como:

  • Dor que se intensifica durante ou após a corrida e não desaparece em até 48 horas;
  • Presença de edema;
  • Rigidez articular significativa ao acordar;
  • Dor ao subir ou descer escadas;
  • Sensação de instabilidade;
  • Queda de desempenho associada à dor e sintomas mecânicos, como estalos ou travamentos acompanhados de desconforto.

Mesmo para quem já sofreu algum tipo de dor ou lesão articular, na maioria dos casos é possível voltar a correr, desde que haja avaliação adequada e prescrição individualizada. Mas os cuidados fundamentais, segundo Netto, incluem:

  • Ajuste da carga, com redução de volume e intensidade;
  • Progressão gradual;
  • Ênfase no fortalecimento e no controle neuromuscular;
  • Possíveis ajustes técnicos quando indicados e monitoramento da resposta nas 24 a 48 horas seguintes.

Por fim, o diretor técnico da Bodytech reforça que “em casos de osteoartrite ou lesões mais complexas, é essencial seguir protocolos baseados em diretrizes clínicas, preferencialmente com acompanhamento profissional”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar