Caracterizada por uma relação descontrolada com a comida, a compulsão alimentar é um transtorno silencioso, que afeta mais as mulheres e gera sofrimento e prejuízos em várias áreas da vida. Mas com o apoio de uma equipe de profissionais multidisciplinar, de familiares e de amigos, pacientes podem conviver com o problema e superar crises. 

De acordo com a psicóloga Gabriela Malzyner, uma forma de comer desorganizada e em grandes volumes são dois sinais importantes ligados à compulsão alimentar.

 “Os dois geralmente vêm acompanhados de uma perda de controle, um desconforto grande durante e depois da ‘refeição’ e uma sensação de perda de fronteira. O paciente come uma quantidade muito fora do comum em espaços curtos de tempo, ” explica. 

A nutricionista Sabrina Theil acrescenta que o problema geralmente é vivido em completo segredo, já que os pacientes têm muita vergonha e ficam constrangidos em contar para alguém, como se ao sair do controle, estivessem cometendo um crime. Quadros de depressão e ansiedade não raramente estão associados à compulsão alimentar. 

Não é possível determinar um motivo que leve ao transtorno, mas, segundo Malzyner, o comer sem fome e descontrolado pode estar atrelado a algum sofrimento vivido, que a pessoa não está conseguindo nomear e lidar. Nesse sentido, os sentimentos mal resolvidos são deslocados para a relação com a comida, gerando crises. 

Mulheres são o grupo que mais sofre

Entre os grupos que mais sofrem com o problema, estão as pessoas propensas a fazerem restrições alimentares, cortes radicais na alimentação e dietas por longos períodos. Estudos apontam que as mulheres são mais vulneráveis a transtornos desse tipo, já que vivem mais a pressão estética e a busca por um corpo magro ideal, que podem chegar através das relações familiares, no trabalho e, claro, pelas redes sociais. 

Apesar de complexo, a compulsão tem tratamento e deve envolver diversos profissionais da saúde. A psicóloga explica que são necessários nutricionistas, psicólogos e psiquiatras. Nesse cuidado integrado, os psicólogos vão estimular a ampliação da associatividade, para que o paciente consiga identificar o que está imbricado nessa forma de comer,  o nutricionista vai trabalhar a relação com o alimento e o psiquiatra vai auxiliar nesse trabalho terapêutico.