Sempre escutamos falar que é importante e necessário colocar as crianças para praticarem alguma atividade física porque ajuda no crescimento e desenvolvimento saudável. Só que, antes de mais nada, a atividade deve ser prazerosa para estimular o pequeno a perpetuar essa prática ao longo de sua vida.
E escolher a atividade física ideal para cada etapa da infância requer muita consideração com relação a idade e as fases do desenvolvimento de cada criança, como mudanças físicas, linguísticas, mentais e até emocionais.
Qual é a importância da prática da atividade física desde cedo?
O exercício físico oferece diversas vantagens para todo mundo, inclusive para as crianças. E a master trainer nacional de Acqua e Kids e Psicomotricista da Bodytech, Michelle Stracke, comenta que a atividade física, como parte do dia a dia, traz diversos benefícios. Como, por exemplo, o controle do peso, a melhora da qualidade de vida, do humor, da disposição, da interação com as outras pessoas e com o ambiente.
E para transformá-los em jovens ativos, ela comenta que é importante que o responsável “apresente uma variedade de atividades físicas, como jogos, brincadeiras, danças e esportes, para que escolham aquelas com que mais se identificam”.
Entretanto, Michelle ressalta que “antes de iniciar uma atividade física é indicado a todos passarem por uma consulta médica para avaliação de doenças prévias e histórico familiar. Desde que esteja saudável, o limite de esforço é um fator individual e acrescenta que “para não sobrecarregar a musculatura, a orientação é não praticar a mesma modalidade todos os dias, podendo intercalar os esportes e variar os estímulos e experiências”.
Qual é a atividade física mais adequada para cada etapa da infância?
A master trainer nacional explica que “desde bebês já podemos introduzir essas práticas, como, por exemplo, a recomendação do Tummy Time (colocar o bebê de barriga para baixo), por 30 minutos distribuídos durante o dia. Também é importante estimular os bebês que ainda não andam, a atividades como alcançar, mover a cabeça e membros, puxar, segurar, empurrar, sempre com a supervisão de um adulto”.
É crucial lembrar também que, até os 2 anos de idade, não é recomendado o uso de telas. E, por isso, “neste momento o foco deve estar em atividades lúdicas, em forma de brincadeiras, que é a linguagem que a criança mais entende. Atividades como correr, rolar, saltar, puxar, arremessar, pular corda, escalar, fazer natação e andar de bicicleta”, informa Michelle Stracke.
Atividades para as primeiras interações esportivas
A partir dos 3 anos, é possível introduzir, gradativamente, atividades esportivas, como danças, lutas e esportes coletivos com bolas, para continuar o trabalho de estimular a experiência motora. A especialista comenta que “é bom evitar a competição do ‘ganhar’ e ‘perder’, pois a criança, até por volta dos 6 anos, não tem maturidade para compreender essas regras, podendo levar a frustração e a desistência da prática da atividade física”.
Entre os 6 e 8 anos de idade, o pequeno continua desenvolvendo habilidades, mas sem muita força e velocidade, qualificações que são necessárias para os esportes de competição. De toda forma, entre essa faixa etária, os pequenos já conseguem cooperar com mais facilidade, compreendendo regras e limites, podendo participar de atividades mais estruturadas, como artes marciais, ginástica e corridas.
A partir dos 10 anos, a velocidade já está mais integrada à parte motora da criança e, após o estirão do crescimento, o corpo ganha maturidade. “As atividades que demandam força podem ser praticadas nessa fase, como, por exemplo, a musculação, fisiculturismo e remo, sem prejuízo aos ossos e músculos. Sempre levando em consideração que a escolha é feita de maneira que a prática seja motivadora. E, muitas vezes, não necessariamente estará ligada à atividade propriamente dita, mas sim ao ambiente, o professor ou aos amigos que estão juntos”, explica Michelle Stracke.
Benefícios a longo prazo
E com o tempo, comunica a master trainer nacional do Acqua e Kids e Psicomotricista da Bodytech, que, com as atividades, as crianças “desenvolvem habilidades físicas e motoras, combatem o sobrepeso e a obesidade, melhoram a autoimagem, reduzem a ansiedade e depressão. Também têm a oportunidade de desenvolver trabalhos em equipe, cooperação, responsabilidade, disciplina e liderança, qualificando suas interações e relações sociais”. Os pequenos vão levar esses estímulos e aprendizados para o resto da vida.
