A comida, às vezes, pode ser um tópico sensível, que remete a traumas, sentimentos de culpa e lembranças desagradáveis. Entretanto, a comida é afeto. É um ato genuíno de carinho, que muitas vezes celebra a cultura e promove momentos sociais importantes e descontraídos.
Por isso, é necessário entender como ela possui um grande papel na nossa sociedade e como pode ser positivo, mesmo para as pessoas que têm algum ressentimento, restrição alimentar ou resistência em celebrá-la.
Comida pode ser conforto e afeto
As refeições compartilhadas, em qualquer lugar e momento, marcam memórias, reforçam laços e transmitem afeto. Com o tempo, isso se torna parte da nossa identidade, história familiar e das experiências vividas com quem dividimos essas ocasiões.
Porém, a cultura influencia a forma como nos relacionamos com a comida em vivências sociais. Devido aos padrões estéticos impostos pela sociedade, cada vez mais pessoas desenvolvem distúrbios alimentares, como anorexia, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar, na tentativa de se encaixarem nesses padrões.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas sofrem com distúrbios alimentares no mundo. Já no território nacional, 11 milhões apresentam algum tipo de transtorno alimentar.
Com essas informações, fica claro que o ato de se alimentar pode ser, sim, algo penoso para algumas pessoas. Além disso, a nutricionista esportiva e clínica, Nathalia Schnaak, explica que “transformar toda emoção em motivo para comer pode levar a dependência alimentar e dificuldade de lidar com sentimentos de outras formas”.
Contudo, para ela, é possível desenvolver uma relação afetiva e positiva com a comida, que nutre corpo e alma. “Quando a alimentação social causa ansiedade, planejar o que comer, praticar respiração antes da refeição e focar no convívio, não só na comida, pode ajudar”, explica a profissional.
Aproveitar a comida sem culpa
A comida é carregada de afeto, significados e memórias e, por isso, deve ser aproveitada sem culpa ou de forma desregrada, que ignora sinais de saciedade e se repete automaticamente. É para ser saboreada com calma e sem sentimentos ruins.
Mas como lidar com a culpa após comer em excesso em encontros sociais, como aniversários e almoços de família? Nathalia Schnaak esclarece que “é importante evitar punições e retomar a rotina saudável, focando em equilíbrio ao longo dos dias, não em restrições extremas”.
Ela também informa que é possível manter a consciência alimentar sem abrir mão da socialização à mesa: “comer com atenção, escolher opções equilibradas e respeitar sinais de saciedade, mesmo em clima festivo”, afirma a nutricionista esportiva.
Para quem está em processo de reeducação alimentar, mas não quer se isolar dos encontros sociais, ela relata que “é útil comer algo saudável antes do evento, ajustar porções e escolher com cuidado, mantendo o prazer e a interação”.
Então, aproveite os momentos de troca cultural e social por meio da alimentação e comece hoje mesmo a transformar a comida em afeto, porque no final você também vai se sentir bem. Afinal, essas experiências estimulam neurotransmissores como serotonina e dopamina, que aliviam o estresse e promovem sensação de bem-estar.
