Ciclo menstrual sem tabu: conheça seu corpo, mulher!

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Ciclo menstrual sem tabu: conheça seu corpo, mulher!

O ciclo menstrual vai muito além do sangramento de todo o mês. O corpo da mulher passa por uma verdadeira montanha-russa de emoções e sensações durante o ciclo, que geram mensagens no campo físico, emocional e sexual. Mulheres que conhecem seus corpos têm muito mais segurança para evitar uma gravidez indesejada ou planejar uma, sabem da importância de respeitar o momento de se recolherem e ouvirem os sinais do corpo, além de terem mais autonomia para decidir quais são os remédios, alimentos e até situações que provocam bem-estar ou não. 

Nosso bate papo dessa matéria foi com a Débora Rosa, ginecologista natural e obstetra humanizada. Nós convidamos você a fazer essa leitura e começar a interpretar melhor o funcionamento e linguagem do seu corpo.

Debora explica que o ciclo menstrual começa no primeiro dia do sangramento e vai até a véspera do próximo sangramento. O ciclo é dividido em duas fases: a primeira varia entre 14, 15 ou 16 dias e a segunda tem 14 dias. A primeira fase contempla a fase pré-ovulatória e ovulatória, já na segunda, as fases pré-menstrual e menstrual. No primeiro período o hormônio que predomina é o estrogênio, já no segundo é a progesterona. 

A médica usa os arquétipos do ciclo menstrual para interpretar as emoções da mulher em cada fase. A primeira carrega uma energia solar e contempla dois arquétipos. O primeiro, da donzela, é o da fase pré-ovulatória, época em que a mulher está mais alegre e cheia de energia! Já a fase ovulatória é do arquétipo da mãe, amorosa e acolhedora. Nesse momento a líbido aumenta e a mulher está mais propensa a se relacionar sexualmente. 

A segunda fase traz a energia lunar, começa no período pré-menstrual, a conhecida ‘’TPM’’, e é quando aparece o arquétipo da feiticeira. Nessa época a energia está mais para baixo e é muito importante se recolher e respeitar o corpo para não gerar irritabilidade. A fase da bruxa anciã é quando ocorre a menstruação, época em que a mulher está mais sábia e propensa a gerar insights para novos projetos. É fundamental nesse momento “mergulhar” em si mesma e analisar qual questão interna precisa ser trabalhada melhor.

A mulher também pode perceber alterações no muco vaginal — aquelas secreções que aparecem na calcinha. Ao longo de todo ciclo, o muco diz muito sobre a fase que ela se encontra. Os hormônios são responsáveis por estimular essas secreções que passam uma importante mensagem, principalmente na percepção da fertilidade.

Na ovulação, o muco é mais translúcido e fluido, parecido com uma clara de ovo. Ele se expande e chega a 10 cm. Nessa fase, o estrogênio cai e é substituído pela progesterona. A fluidez desse muco auxilia o espermatozóide no caminho até o útero para ocorrer a fecundação.

Já na fase pré-menstrual, o organismo não tem mais interesse em fecundar e sim em proteger um possível feto. Nesse período, o muco é esbranquiçado, talhado e tem o objetivo de proteger o colo do útero, para que nenhuma bactéria entre na “casinha do bebê”. É possível que algumas pessoas confundam o muco dessa fase com corrimento, mas atenção: corrimento tem cheiro forte e causa coceira, a secreção normal pré-menstrual não!

Outros sinais para ficar ligada e que podem indicar algo anormal: quando o ciclo menstrual estiver muito irregular, variando mais de um mês, e caso o fluxo aumente muito ou aconteça algum escape. Nesses casos, procure um ginecologista para avaliar os sintomas.

Uma dúvida pertinente é sobre a influência da pílula contraceptiva nas alterações do corpo da mulher, se são as mesmas que uma mulher que não faz uso da medicação. A resposta é não. As pílulas possuem hormônios sintéticos que inibem a produção dos nossos próprios hormônios naturais, impedindo grandes variações. 

O movimento “plante sua lua” vem gerando muitas adeptas e consequentemente  algumas dúvidas também. Debora é uma dessas mulheres que aderiu a prática, que consiste em usar opções paralelas ao absorvente descartável, como o coletor menstrual, e doar o sangue à terra. Além da questão energética de entrar em contato com o solo, que tem um alto potencial de cura, a médica destaca a importância dessa ação para romper com uma percepção socialmente construída de que o sangue menstrual é sujo e tem cheiro ruim, e também de ajudar a mulher a perceber melhor a quantidade e duração do seu fluxo. Debora também chama atenção para o fato de que o absorvente descartável contém várias substâncias tóxicas, o que pode inclusive contribuir com o aumento do fluxo e das cólicas.

A especialista acredita que se conhecer é a chave para vivenciar todas as fases do ciclo menstrual de uma forma mais leve e harmônica.

“No momento em que a gente se conhece, respeita o nosso tempo e nossa ciclicidade, a gente passa a mudar o olhar e encarar tudo com mais tranquilidade. Na TPM, por exemplo, já temos mais consciência da necessidade de se recolher, se abster de fazer o que não quer e evitar brigas. O autoconhecimento nos dá um empoderamento muito grande. Você sabe quando alguma coisa está diferente, sabe quando a cólica está mais forte, etc”.

A dica para quando a TPM “gritar” é respeitar e ouvir o seu corpo. Com o tempo, você mesma vai aprender a lidar com esse período e identificar suas necessidades. Se você precisa de um “kit emergência” para passar por essa fase, uma bolsa térmica com água quente, descanso e chá de canela podem ser bons aliados.

“No momento que a mulher vai quebrando os paradigmas e muda o olhar sobre a menstruação, ela passa a se entender como sagrada. A ginecologia natural estimula essa virada de chave para não ‘problematizarmos’ o que não tem problema.”

A mulher tem o direito à informação e o processo de se conhecer causa uma verdadeira revolução no olhar pra si e ao lidar com sua ciclicidade. Compartilhe esse conteúdo com outras mulheres para que possamos estimular o debate sobre a saúde, sexualidade e aspectos emocionais da mulher, quebrando cada vez mais tabus que por muito tempo fizeram parte do universo feminino.

Por |2019-07-25T11:19:01-02:0024/07/2019|