Vida sexual, exercícios e alimentação na gravidez

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Vida sexual, exercícios e alimentação na gravidez

A gravidez é um momento muito particular na vida de uma mulher. Cada gestação é única e cercada de questões e incertezas que começam desde a descoberta de uma nova vida até o nascimento do bebê. Que tipo de alimentação é preciso ter? É possível manter relações sexuais ao longo dos nove meses? Vale a pena praticar atividades físicas nesse período? 

Conversamos com profissionais da saúde para entender um pouco mais sobre esses assuntos e responder dúvidas que surgem nessa fase.

Gestantes podem ter relações sexuais ou não?

Para muitos casais, manter relações sexuais durante a gestação pode ser um problema. De acordo com Polyanna Pereira de Azevedo, ginecologista da Clínica Leger, a variação hormonal influencia muito na libido, principalmente no primeiro trimestre. Com o passar dos meses, o desejo sexual se normaliza e a vontade de ter relações pode voltar, mas isso vai de mulher para mulher. 

O que impede muitos casais de transarem durante a gestação é o receio de machucar o bebê dentro do útero. Polyanna explica que não existe perigo, pois o colo do útero é composto por um tecido bastante rígido. Além disso, o líquido amniótico também protege contra choques mecânicos.

“Durante o ato sexual, as mulheres liberam hormônios que geram uma sensação de relaxamento e bem-estar. Alguns pesquisadores defendem que transar nesse período faz bem porque ajuda a controlar a ansiedade, melhora a autoestima, favorece o orgasmo feminino, pelo aumento da lubrificação vaginal da grávida, e auxilia na hora do parto natural, porque a prática exercita os músculos vaginais,” explica a médica.

Mas a ginecologista deixa um alerta: sexo sem preservativo durante a gravidez não é aconselhado, pois funciona também como modo de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que podem afetar o desenvolvimento do embrião.

Mulher grávida não pratica exercícios para evitar esforço físico?

Praticar atividades físicas é recomendado em qualquer momento da vida. Na gravidez, o cuidado precisa ser um pouco maior para que gestante e bebê se mantenham seguros e saudáveis. Todo tipo de exercício é válido, contanto que haja sempre o acompanhamento de um profissional de educação física. 

Mas se o desejo é buscar uma atividade que auxilie na diminuição da fadiga e ansiedade, que proporcione uma sensação de relaxamento e aumente a estabilidade e força corporal, que tal experimentar a yoga? A instrutora de yoga sênior da Bodytech, Sanny Jacome, incentiva a prática dessa modalidade, pois ela prepara o assoalho pélvico para o parto natural e trabalha a respiração, o  que ajuda naoxigenação da mãe e do bebê.

“Para alcançar os benefícios da yoga, é necessário regularidade nas aulas e fazer, no mínimo, duas vezes por semana. Se a gestante já praticava yoga antes de engravidar, ela pode começar já no primeiro mês de gestação. Caso contrário, o mais indicado é iniciar após o terceiro mês, tendo o aval do médico obstetra. O mais importante é sentir-se bem nas posições”.

A ansiedade gestacional é muito comum e essas emoções causam efeitos no corpo. Quando estamos ansiosos, os músculos se contraem e isso dificulta a respiração. Segundo a instrutora da Bodytech, na yoga considera-se que essa é uma via de mão dupla: “se as suas emoções podem causar efeitos físicos, então, alterações físicas podem mudar a forma como você se sente”, afirma.

Um corpo relaxado pode descansar a mente e conseguir diversos benefícios. Sanny reforça que cientistas comprovam como o estresse durante a gestação é responsável por nascimentos prematuros e baixo peso da criança. Por isso, torna-se ainda mais importante que a gestante esteja em um ambiente confortável e relaxante.

Os benefícios da yoga para aumentar a libido

Qual o caminho para comer melhor durante a gravidez?

Assim como para os exercícios físicos, a alimentação saudável precisa estar presente na rotina ao longo de toda a vida. Nos primeiros meses de gestação, a mulher costuma ter aversão a alguns alimentos que antes eram muito bem aceitos pelo organismo. Nessa fase, é necessário calma para que haja uma nova aceitação de sabores e cheiros. 

A nutricionista Luana Rocha tem uma dica preciosa para esse momento: porções pequenas. Isso ajuda a grávida a não deixar de consumir verduras e legumes ou mesmo folhas, além de ser importante variar o cardápio para auxiliar na readaptação. Leguminosas como feijão e ervilha também são muito bem-vindas, pois possuem fibra, proteína e ferro. Comer frutas diariamente é essencial, sempre bem lavadas e higienizadas.

Luana também explica que grávidas precisam evitar alimentos crus e mal cozidos, pois o risco de contaminação pode ser alto e prejudicial à saúde.

“O que realmente não se deve consumir, independente da quantidade, é carne crua ou mal passada. Isso inclui comida japonesa, muitas vezes a queridinha das gestantes. Ovo com gema mole também faz parte desse grupo, assim como verduras, legumes e folhas cruas em lugares onde não temos certeza sobre o controle da higienização”.

E atenção a dois costumes bem ruins: achar que pode comer por dois e não querer comer por medo de engordar muito. Excessos, para ambos os lados, podem levar a complicações na gestação, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, nascimento prematuro, má formação e baixo peso ao nascer, que condicionam o surgimento de doenças e complicações maiores após o nascimento do bebê. Por isso, a nutricionista aconselha a orientação de um profissional para que a futura mamãe e bebê curtam esses nove meses da forma mais saudável possível.

Por |2020-10-13T11:45:58-03:0013/10/2020|