*Por Ana Tapajós

Elbrus é uma montanha muito fria e, apesar de não ser técnica, é considerada perigosa e traiçoeira por causa do clima. Venta e neva muito e por isso as pessoas podem se perder e até morrer.

O ataque ao cume foi dividido em dois dias. No primeiro, ascendemos até Pastukov Rocks (4700 metros). Não era uma subida muito íngreme, porém foi bastante longa e cansativa. Nesse dia já deu para saber como seria desafiador chegar ao cume.

Na madrugada seguinte, com tudo preparado, saímos rumo ao topo da Europa. A caminhada no alto montanha é bastante lenta por causa da dificuldade de respirar na altitude. É uma caminhada cadenciada, quase uma terapia.

É muito importante ir parando e se hidratando. Nunca vou esquecer a sensação de fragilidade que eu senti diante da imensidão e imponência daquela grande montanha. Era uma beleza fenomenal e uma energia inexplicável. Até esse ponto já tínhamos caminhado mais da metade do caminho e estávamos exaustos.

Os dois cinegrafistas resolveram voltar pois não estavam se sentindo bem e não completaram a caminhada até o cume. Por isso, no ataque final ao cume foi só a Julia, nosso guia e eu. Tivemos que filmar com “hand cam”, por isso não temos tantas imagens no topo. No montanhismo é muito importante cada um conhecer seu limite e também entender que o nosso psicológico conta muito. O seu corpo com certeza estará exausto e por muitos momentos você vai achar que não consegue mais continuar. Nesse momento, passa a ser só você e a sua mente em um desafio interno.

Lembro que estava extremamente cansada, chorei, passei muito frio, e minha mão quase congelou. Por vários momentos, achei que não ia conseguir e quase desisti, mas conforme fui subindo e encontrando pessoas descendo, elas iam me encorajando, fui criando forças, superando meu limite e indo cada vez mais.

Depois de mais de oito horas de subida e do esforço dos últimos dias, fomos recompensados com a deliciosa sensação de estar no topo da montanha mais alta da Europa, a 5642 metros. No topo da montanha faziam -20ºC e ventava bastante, mas a vista de toda a cordilheira dos Cáucasos com seus cumes nevados que estava na nossa frente fez tudo valer a pena!

A sensação de ter superado meus limites e chegado até o topo depois de tudo é impagável. Quando cheguei lá em cima minha energia voltou com força total e consegui pular e comemorar muito. Nessa hora, vi na prática como o nosso psicológico nos influencia muito. Levamos cerca de 5 horas para descer até nosso acampamento.

No caminho, passamos por um homem que tinha subido sozinho sem nenhum guia e estava muito fraco, cuspindo sangue. Foi um momento muito tenso, e vimos que com a montanha não se brinca. Jamais devemos subir sozinhos, por mais que você conheça o local, e sempre devemos respeitar nossos limites.

Conquistar o Monte Elbrus foi uma experiência única, na qual não só me desafiei fisicamente, mas também mentalmente e espiritualmente. Ao nos depararmos com situações extremas, acabamos nos conhecendo melhor e ao vencermos desafios desse porte ganhamos ainda mais autoconfiança.

Quer conhecer o início dessa aventura? A Ana contou no primeiro post, que você pode ler aqui, como foi sua fase de adaptação ao clima e à altitude antes de subir o Elbrus. 

Fotos: Rodrigo Setubal

*Ana Tapajós nasceu na Amazônia e mora no Rio de Janeiro desde pequena. Tem uma ligação muito forte com a natureza e ama praticar esportes ao ar livre, fazer trilhas, jogar futevôlei, surf, sup e viajar. Formada em Relações Internacionais pela UFF, atualmente é empresária e, nas horas vagas, apresentadora de TV. Gravou programas do Multishow e do Canal OFF, ama. Conheceu países como Rússia, Áustria, África do Sul e Estados Unidos.