“A deficiência está na cabeça de quem se limita”

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“A deficiência está na cabeça de quem se limita”

“Vamos lá? Vamos! Eu só vou demorar um pouquinho pra chegar, mas eu vou chegar!”. Esse é o lema que conduz o dia a dia de quem enxerga positividade onde muitos vêem limitação. Alexandre Santana, 45, sofreu um acidente de carro que o deixou sem parte da perna. Se pensa que isso foi motivo para parar, muito pelo contrário, ele quer viver cada vez mais.

Um caminhão mudou os caminhos de Alexandre ao voltar de um trabalho há dez anos. Por ter se ferido gravemente, os médicos decidiram amputar metade da perna direita dele. Isso, sem dúvidas, foi um choque. Ainda na mesa de cirurgia, ao saber o que tinha acontecido, Alexandre encarou o momento como se a vida tivesse acabado ali, mas algumas poucas palavras deram um novo rumo para a história.

Na época em que sofreu o acidente, Alexandre era obeso e, com o trauma, acabou engordando ainda mais, chegando a pesar 150kg. Isso foi um impasse para conseguir uma prótese para o membro amputado, pois ele precisava emagrecer 50kg. Na cabeça dele, isso seria impossível, principalmente porque queria protetizar logo e voltar a se movimentar bem. 

Em agosto de 2010, Alexandre tomou a decisão de fazer uma cirurgia bariátrica para ajudar no processo de perda de peso e, assim, conseguir uma prótese pela Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação – ABBR. Em dezembro do mesmo ano, Alexandre já estava usando a primeira perna mecânica dele. 

“Eu estava acordando da anestesia e, quando me contaram que tinha sido feita uma amputação pós traumática, achei que ali era o fim, mas uma enfermeira me abordou e disse as seguintes palavras: ‘Sua vida não acabou, está a apenas recomeçando. Você só vai demorar um pouquinho pra se readaptar’”, lembra Alexandre. E foi isso que deu forças para continuar seguindo.

Alexandre ante e depois de iniciar uma vida de exercícios

Através desse projeto beneficente, ele foi apresentado a um grupo de paratletas de vôlei sentado do time carioca Vasco da Gama. Com muita dedicação e entrega, Alexandre se tornou atleta de alto rendimento do clube e começou a treinar constantemente, além de participar de competições. Por questões empregatícias na época, ele teve que deixar o time e dar prioridade ao trabalho, mas o prazer de praticar atividades físicas já era grande e Alexandre não parou mais.

Quando começou a trabalhar na Bodytech, no cargo de assistente financeiro, Alexandre recebeu todo o aporte de professores para que pudesse ter uma rotina de treinos direcionados à condição dele e conseguisse evoluir. Praticar natação, hidro power e musculação são as principais atividades que ele tem o prazer de fazer. Outras de grande impacto e intensidade, como o Combine e o Cross Fit, ainda estão na lista de metas a serem conquistadas.

“É como meus professores me perguntam: ‘Alexandre, você já fez isso? Vamos tentar?’ Eu vejo que o importante é sair da zona de conforto. A ideia é, justamente, desenvolver. Minha saúde é outra, o dormir, a disposição, tudo é outro! Tudo é muito diferente desde que comecei a me exercitar e minha vida é muito melhor”, afirma a diferença que sente no corpo e na mente com as atividades físicas.

Algumas pessoas devem achar que um deficiente não faz exercícios por ser muito difícil ou até improvável, mas o que elas não imaginam é como isso é importante para a autonomia, bem-estar e sociabilidade de quem tem uma deficiência.

“Não importa qual seja a deficiência, o importante é sempre estimular a pessoa que esteja nessa condição e não olhar para alguém com piedade ou como coitadinho. Às vezes eu acho que a deficiência está só na cabeça de quem se limita e vê barreiras em tudo”, enfatiza deixando esse recado como uma lição de vida.

Por |2019-09-17T09:36:32-02:0013/09/2019|